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Michael Jordan rompe silêncio sobre tensões entre negros e policiais nos EUA

Ex-jogador de basquete anunciou doações para instituições que tentarem promover a paz

Ex-jogador de basquete anunciou doações para instituições que tentarem promover a paz
Ex-jogador de basquete anunciou doações para instituições que tentarem promover a paz Foto : Alain Jocard / AFP / CP
A lenda do basquete Michael Jordan, que não costuma se pronunciar a respeito de temas polêmicos, afirmou nesta segunda-feira não poder mais “ficar calado” diante das fortes tensões entre negros e policiais nos Estados Unidos. Ele anunciou generosas doações a duas instituições do país.

“Estou triste e frustrado com as tensões divisórias retóricas e raciais que parecem estar piorando nos últimos tempos”, escreveu Michael Jordan, em carta aberta ao público publicada pelo site The Undefeated.

“Eu sei que esse país é melhor do que isso e em não posso mais ficar calado”, frisou o hexacampeão da NBA, que teve a carreira marcada por abdicar de se posicionar politicamente, preocupado em não manchar sua marca e diminuir seu valor de mercado.

Em 1990, em meio a tensões entre dois candidatos ao Senado pela Carolina do Norte - estado natal de Jordan -, o negro e democrata Harvey Gantt e o ultraconservador Jesse Helms, Jordan se negou a apoiar Gantt, afirmando que “republicanos também compram tênis”, posição que anos depois admitiu ter se arrependido.

“Temos que encontrar soluções para que os jovens de cor tenham garantidos um tratamento justo e igual e que os policiais, que colocam as vidas em perigo para nos proteger diariamente, sejam respeitados e apoiados”, afirmou Jordan, referindo-se às tensões entre negros e policiais nos Estados Unidos, um problema histórico que voltou ao ponto de ebulição recentemente.

Doações pela paz

A morte de dois negros em dois dias de julho, abatidos por policiais em Baton Rouge (Louisiana) e Saint Paul (Minnesota), reavivaram as tensões latentes no país. Em resposta, oito policiais, cinco em Dallas e três em Baton Rouge, foram mortos a tiros por dois atiradores que diziam querer vingar-se das brutalidades das forças de segurança.

“Decidi me pronunciar na esperança de que nós, americanos, possamos nos reaproximar e realizar uma mudança construtiva através do diálogo pacífico e da educação”, insistiu Jordan.

Jogador de basquete mais famoso da história, proprietário da franquia da NBA Charlotte Hornets e com fortuna estimada em mais de 1 bilhão de dólares, a lenda viva também anunciou que doará um milhão de dólares cada para duas associações que trabalhavam em melhorar as relações entre a polícia e a comunidade afro-descendente nos Estados Unidos.

“Essas doações não são suficientes para resolver o problema, mas espero que ajudem essas duas associações a mudarem a situação positivamente”, explicou. “Esses problemas não apareceram do dia para a noite e não serão resolvidos amanhã, mas se trabalharmos juntos podemos criar uma compreensão melhor e um mundo mais pacífico para nós, nossos filhos e netos, nossas famílias e nossas comunidades”, completou.