Minneapolis aguarda a "desescalada" prometida pelo presidente americano, Donald Trump, em sua campanha antimigratória nesta quarta-feira, 28, enquanto os Estados Unidos ainda se recuperam da morte de mais um cidadão pelas mãos de agentes federais durante um protesto contra as operações antimigratórias.
Na noite de terça-feira, Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, chegou a admitir que os agentes podem ter infringido o "protocolo" antes do incidente em que o enfermeiro americano Alex Pretti morreu no sábado durante um confronto com a Patrulha de Fronteira (CBP).
A morte do enfermeiro, de 37 anos, ocorre após a de outra cidadã americana, Renee Good, em 7 de janeiro, pelas mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na mesma cidade de 400 mil habitantes.
Dois agentes federais dispararam suas armas durante o confronto fatal com Pretti em um protesto em Minneapolis, de acordo com um relatório do Departamento de Segurança Interna enviado ao Congresso e publicado na terça-feira pela imprensa local.
O relatório afirma que um agente da Patrulha da Fronteira gritou "Ele está armado!" diversas vezes enquanto os agentes tentavam conter o enfermeiro.
"Aproximadamente cinco segundos depois, um agente da Patrulha da Fronteira disparou sua pistola Glock 19, fornecida pela CBP, e um agente da Alfândega e Proteção de Fronteiras também disparou sua pistola Glock 47, também fornecida pela CBP, contra Pretti", afirma o documento.
O texto não especifica se os tiros disparados pelos dois policiais atingiram o homem, nem quantos tiros foram disparados. Também não menciona se Pretti sacou sua arma, como sugerido pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o que gerou duras críticas.
A situação continua extremamente instável em Minneapolis. Na noite de terça-feira, a congressista democrata Ilhan Omar, nascida na Somália, foi atacada por um homem que avançou contra ela e a atingiu com um líquido desconhecido durante um comício.
Omar, uma figura proeminente da esquerda americana e um dos alvos favoritos dos ataques verbais de Trump, escapou ilesa e continuou seu discurso.
"Precisamos abolir de uma vez por todas" a polícia migratória, insistiu ela, exigindo a renúncia da secretária Noem.
A esquerda americana se opõe à ampla mobilização de agentes federais em Minneapolis, que foram enviados para prender um grande número de imigrantes em situação irregular, a fim de cumprir a promessa de Trump de multiplicar as deportações.
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"Assassino em potencial"
Diante das críticas, Trump pediu na terça-feira uma "desescalada" da situação em Minneapolis e descreveu a morte de Pretti como "muito triste", embora tenha descartado a demissão de Kristi Noem.
"Vamos desescalar um pouco", disse o presidente à Fox News após enviar seu czar da imigração, Tom Homan, à cidade, onde se reuniu com o prefeito, o democrata Jacob Frey.
Seu influente e polêmico assessor Stephen Miller também suavizou a narrativa oficial em sua declaração na terça-feira.
"Estamos analisando os motivos pelos quais a equipe da CBP pode não ter seguido o protocolo", disse ele, depois de ter chegado a descrever Pretti no fim de semana com um "assassino em potencial".
A Casa Branca pareceu recuar, esclarecendo que o funcionário se referiu às "diretrizes gerais" para agentes de imigração que atuam no estado, e não especificamente à morte de Pretti. Vídeos analisados pela AFP e outros veículos de comunicação contradizem o argumento de alguns membros do governo de que o enfermeiro, que tinha permissão para portar arma, representava uma ameaça às forças de ordem.
"Ponto de partida produtivo"
Agora é Tom Homan, enviado de Trump, quem está no comando da operação antimigratória e se reuniu com autoridades democratas locais. "Embora não concordemos em tudo, essas reuniões são um ponto de partida produtivo", disse no X o novo funcionário, que substituiu o chefe da polícia fronteiriça Greg Bovino.
"Bovino é muito bom, mas é um cara bem excêntrico", reconheceu o próprio Trump na Fox News. "Em alguns casos, isso é bom. Talvez não fosse o caso aqui", afirmou, antes de alegar, sem provas, que os protestos em Minnesota foram infiltrados por "insurgentes pagos".
Em Minnesota, uma juíza prometeu uma decisão rápida na segunda-feira sobre o pedido do procurador-geral do estado para suspender a operação contra imigrantes em situação irregular.
A Justiça também bloqueou a deportação de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, de origem equatoriana, que foram detidos na semana passada. Uma foto de um menino assustado usando um chapéu azul com orelhas de coelho viralizou.
O Ministério das Relações Exteriores do Equador enviou uma nota de protesto aos Estados Unidos após denunciar uma tentativa de invasão de agentes de imigração à sua sede consular em Minneapolis. O governo do presidente Daniel Noboa, aliado de Trump, exigiu que "atos dessa natureza não se repitam".