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Moscou chora vítimas de atentados e polícia busca pistas de “viúvas negras”

Presidente Dmitri Medvedev pediu que a legislação terrorista seja reforçada

Vários policiais foram mobilizados no metrô da capital
Vários policiais foram mobilizados no metrô da capital Foto : Andrei Smirnov / AFP
Moscou estava de luto nesta terça-feira pelos 39 mortos no duplo atentado suicida executado ontem no metrô e as autoridades, muito criticadas pela política de segurança, investigavam as pistas das "viúvas negras", parentes de islamitas mortos nos conflitos do Cáucaso.

O presidente Dmitri Medvedev pediu que a legislação terrorista seja reforçada. "Temos que concentrar nossa atenção em melhorar a legislação relativa à prevenção de ações terroristas e à eficiência do trabalho dos organismos (governamentais)", afirmou.

Os moscovitas levaram flores às estações de metrô Lubianka e Park Kultury, no centro da capital, onde duas mulheres acionaram as cargas explosivas que transportavam em uma hora de pico da manhã de segunda-feira matando 39 pessoas e ferindo 64. Uma vigília de orações foi organizada para o meio-dia pela Igreja Ortodoxa em memória das vítimas na catedral do Cristo Salvador, maior estabelecimento religioso de Moscou. Durante o dia de luto, decretado pela Prefeitura, as bandeiras foram hasteadas a meio pau e os teatros e redes de televisão cancelaram suas programações de entretenimento.

Vários policiais foram mobilizados no metrô da capital, o que não impediu a imprensa de acusar o governo do primeiro-ministro Vladimir Putin de ter fracassado em prevenir os atentados. "Nos últimos anos, as autoridades e as redes de televisão públicas (pró-Kremlin) levaram os russos a acreditar que o terrorismo estava localizado no Cáucaso Norte e não ameaçava os cidadãos", indicou o jornal Vedomosti.

Desde os anos 90, Moscou foi sacudida várias vezes por violentas explosões, mas o último grande ataque no metrô, com 41 mortos e 250 feridos, foi registrado em fevereiro de 2004.

Os atentados executados na segunda-feira pelas duas mulheres comoveram o país, lembrando os trágicos dias, há menos de uma década, em que várias terroristas suicidas, chamadas de "viúvas negras", praticaram uma série de ataques mortais. O nome "viúvas negras" se deve ao fato de muitas dessas mulheres serem parentes de homens mortos em operações das forças de segurança nas repúblicas russas do Cáucaso Norte, região de maioria muçulmana assolada por uma violenta insurgência. Elas se tornaram terroristas suicidas para se vingarem das autoridades de Moscou.

Os atentados não foram reivindicados até o momento, mas um grupo islamita dirigido pelo líder rebelde checheno Doku Umarov havia recentemente convocado seus seguidores a atacar a capital russa. Segundo fontes da investigação citadas pelo diário Kommersant, um líder islamita ligado a Umarov, Alexander Tijomirov, conhecido também como Said Buriatski - morto em uma operação militar russa no início de março, havia recrutado e treinado 30 potenciais suicidas na Ingushétia e na Chechênia.

O presidente checheno, aliado do Kremlin, Ramzan Kadirov, declarou nesta terça-feira que "os terroristas devem ser caçados e (...) envenenados como ratos".

Os investigadores do Ministério Público russo lançaram uma convocação a todas as testemunhas dos atentados, ressaltando que "qualquer informação é importante" para a investigação. Segundo uma fonte dos serviços de segurança, a polícia busca três cúmplices das duas terroristas.

AFP