A intensidade das manifestações contra o regime teocrático do Irã diminuiu nesta sexta-feira (16) após uma repressão violenta e um apagão digital que já ultrapassa 180 horas. Segundo organizações de monitoramento, o movimento que exige a queda do sistema clerical iniciado em 1979 foi sufocado temporariamente pela presença ostensiva das forças de segurança em Teerã.
Paralelamente, a ameaça de um ataque iminente dos Estados Unidos perdeu força após aliados do Golfo intervirem diplomaticamente junto ao presidente Donald Trump.
Relatos de massacres e isolamento digital
O grupo Iran Human Rights (IHR) estima que ao menos 3.428 manifestantes foram mortos, denunciando crimes graves como execuções de feridos em via pública e uso de armamento de guerra contra civis em fuga. A Human Rights Watch descreve o cenário como um massacre sem precedentes, enquanto vídeos verificados pela AFP mostram necrotérios superlotados ao sul da capital.
O bloqueio da internet, monitorado pela Netblocks, supera a duração das crises de 2019, sendo utilizado pelo governo do aiatolá Ali Khamenei para ocultar a escala da violência.
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Recuo de Washington
A desescalada militar contou com esforços de Arábia Saudita, Catar e Omã, que alertaram Trump sobre os riscos de uma guerra regional. Segundo fontes diplomáticas, o presidente americano concordou em dar "uma oportunidade" a Teerã para demonstrar boas intenções, embora a Casa Branca reitere que todas as opções permanecem viáveis.
Em um movimento de pressão, Washington anunciou sanções econômicas contra líderes da repressão, como Ali Larijani, e afirmou que o Irã suspendeu a execução prevista de 800 manifestantes, dado que ainda carece de confirmação por ativistas locais.
O cenário internacional permanece em movimento com a mediação de Vladimir Putin, que conversou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e planeja dialogar com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian para estabilizar o aliado de Moscou. No Conselho de Segurança da ONU, a oposição iraniana reforçou a unidade contra o clero, enquanto o representante de Teerã acusou Washington de explorar as manifestações para fins geopolíticos.