O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou nesta terça-feira (4) a possibilidade de uma incursão terrestre dos Estados Unidos na Venezuela e reiterou sua disposição em mediar o conflito entre os dois países. A declaração foi feita em Belém, no Pará, onde Lula está para liderar a Cúpula de Líderes da COP30.
O presidente americano, Donald Trump, ordenou recentemente uma grande mobilização militar no Caribe para operações de combate ao tráfico de drogas que já resultaram em dezenas de mortes.
Diálogo em vez de armas
Durante entrevista concedida a agências de notícias internacionais, incluindo a AFP, Lula foi claro:
"Não quero que a gente chegue a uma invasão terrestre" da Venezuela por forças militares dos Estados Unidos.
O presidente brasileiro relembrou um encontro com Trump em Kuala Lumpur, Malásia, no mês passado, onde abordou o tema. "Eu disse ao presidente Trump que 'problema político a gente não resolve com armas. A gente resolve com diálogos'".
Lula sugeriu que os Estados Unidos deveriam focar em ajudar os países no combate ao tráfico de drogas, em vez de "tentar atirar contra esses países".
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Acusações e agenda da CELAC
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusa Washington de ter como verdadeiro objetivo "impor uma mudança de regime" em Caracas e apoderar-se do petróleo venezuelano. Trump, por sua vez, acusa Maduro de liderar um cartel de drogas.
Lula indicou que a questão da Venezuela será abordada em uma cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que está agendada para os dias 9 e 10 de novembro na cidade colombiana de Santa Marta.