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Novo presidente do Paraguai não acredita em sanção do Brasil

Federico Franco afirmou quer quer manter relações harmônicas com a presidente Dilma Rousseff

Novo presidente do Paraguai Federico Franco espera manter boa relação com a presidente Dilma Rousseff
Novo presidente do Paraguai Federico Franco espera manter boa relação com a presidente Dilma Rousseff Foto : Norberto Duarte / AFP / CP
Na segunda entrevista coletiva após tomar posse, o novo presidente do Paraguai, Federico Franco, escolheu o Brasil como tema principal. Franco disse neste sábado que não acredita em sanções por parte do Brasil ao Paraguai. “Temos esperanças de manter as relações harmônicas e proporcionais com o Brasil”, destacou ele, que respondeu a várias perguntas de jornalistas brasileiros. “Não acredito que o Brasil aplicará sanções, pois os mais afetados seriam os empresários brasileiros que investem no Paraguai, principalmente, em Ciudad del Este”, acrescentou. “Sou uma pessoa otimista. Há muitos empresários brasileiros investindo hoje no Paraguai”, reforçou o presidente empossado.

Ao longo dos dez minutos de entrevista, Franco ratificou que o “Paraguai vive uma situação de normalidade” em resposta ao Brasil e aos demais países vizinhos, que levantaram dúvidas sobre a lisura do processo que levou à destituição do então presidente Fernando Lugo. Mais de três vezes, ele disse que o processo seguiu os preceitos constitucionais.

Uma das principais tensões entre os dois países é o tratamento dispensando pelas autoridades paraguaias aos brasileiros. Cerca de 6 mil brasileiros, que migraram ao Paraguai para investir em terras, reclamam de discriminação, ataques frequentes dos carperos (agricultores sem terra de origem paraguaia) e falta de apoio do governo.

Franco disse que nos 11 meses que ficará à frente do governo apoiará os brasiguaios. “Esses brasileiros que são cidadãos paraguaios terão um tratatamento preferencial. Certamente esse governo (referindo ao ex-presidente Fernando Lugo) foi o que mais nacionalizou cidadãos brasileiros radicados no Paraguai. Eles (os brasiguaios) podem ficar seguros sobre a preservação de seus direitos”, destacou ele.

Ao ser perguntado se pretende ir à Cúpula do Mercosul, em Mendoza, na Argentina, na próxima semana, Franco indicou que deverá enviar o chanceler José Félix Fernández Estigarribia para representar o Paraguai. “Minha prioridade agora é arrumar a casa e dar tempo para o Mercosul analisar a situação”, completou o presidente.

Brasil deverá agir como membro da Unasul

De acordo com uma alta fonte do governo, a orientação da presidente Dilma Rousseff ao Itamaraty é de esperar os desdobramentos da deposição do ex-presidente Fernando Lugo no Paraguai para se posicionar sobre o reconhecimento do novo governo do país vizinho. Isso porque, caso não haja uma mobilização popular em favor do ex-presidente, o povo paraguaio estará legitimando a ação do Congresso local.

O Brasil deverá agir sempre como membro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), sem tomar decisões unilaterais. Isso vale em relação as declarações sobre uma possível expulsão do Paraguai de órgãos multilaterais como a Unasul e o Mercosul. No caso de uma reação em massa no País e risco de uma guerra civil, os 12 países signatários pretendem atuar na mediação dos conflitos. Embora considere ilegítimo o rito sumário de impeachment de Lugo, a sensação do governo brasileiro é que o presidente perdeu o apoio popular após o episódio que terminou com a morte de 17 pessoas em uma disputa por terras na semana passada.

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