Ao longo dos dez minutos de entrevista, Franco ratificou que o “Paraguai vive uma situação de normalidade” em resposta ao Brasil e aos demais países vizinhos, que levantaram dúvidas sobre a lisura do processo que levou à destituição do então presidente Fernando Lugo. Mais de três vezes, ele disse que o processo seguiu os preceitos constitucionais.
Uma das principais tensões entre os dois países é o tratamento dispensando pelas autoridades paraguaias aos brasileiros. Cerca de 6 mil brasileiros, que migraram ao Paraguai para investir em terras, reclamam de discriminação, ataques frequentes dos carperos (agricultores sem terra de origem paraguaia) e falta de apoio do governo.
Franco disse que nos 11 meses que ficará à frente do governo apoiará os brasiguaios. “Esses brasileiros que são cidadãos paraguaios terão um tratatamento preferencial. Certamente esse governo (referindo ao ex-presidente Fernando Lugo) foi o que mais nacionalizou cidadãos brasileiros radicados no Paraguai. Eles (os brasiguaios) podem ficar seguros sobre a preservação de seus direitos”, destacou ele.
Ao ser perguntado se pretende ir à Cúpula do Mercosul, em Mendoza, na Argentina, na próxima semana, Franco indicou que deverá enviar o chanceler José Félix Fernández Estigarribia para representar o Paraguai. “Minha prioridade agora é arrumar a casa e dar tempo para o Mercosul analisar a situação”, completou o presidente.
Brasil deverá agir como membro da Unasul
De acordo com uma alta fonte do governo, a orientação da presidente Dilma Rousseff ao Itamaraty é de esperar os desdobramentos da deposição do ex-presidente Fernando Lugo no Paraguai para se posicionar sobre o reconhecimento do novo governo do país vizinho. Isso porque, caso não haja uma mobilização popular em favor do ex-presidente, o povo paraguaio estará legitimando a ação do Congresso local.
O Brasil deverá agir sempre como membro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), sem tomar decisões unilaterais. Isso vale em relação as declarações sobre uma possível expulsão do Paraguai de órgãos multilaterais como a Unasul e o Mercosul. No caso de uma reação em massa no País e risco de uma guerra civil, os 12 países signatários pretendem atuar na mediação dos conflitos. Embora considere ilegítimo o rito sumário de impeachment de Lugo, a sensação do governo brasileiro é que o presidente perdeu o apoio popular após o episódio que terminou com a morte de 17 pessoas em uma disputa por terras na semana passada.