Novo protesto pacífico em Santiago por falta de comida e fome na quarentena

Novo protesto pacífico em Santiago por falta de comida e fome na quarentena

Cinquenta moradores do sul da capital protestaram pela falta de trabalho e por fome em decorrência da crise

AFP

"Se o vírus não nos matar, a fome nos matará", diz cartaz dos manifestantes

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Cinquenta moradores da comunidade de La Pintana, no sul de Santiago, protestaram nesta quarta-feira pela falta de trabalho e por fome em decorrência da crise gerada pela quarentena total em resposta ao avanço do coronavírus que cada vez atinge mais as áreas pobres do país.

Os moradores de La Pintana, um bairro operário, com algumas partes muito pobres ou com locais perigosos, desafiaram a quarentena decretada em Santiago desde a última sexta para protestar com cartazes, bater em panelas e gritar contra o governo, o qual acusam não estar lhes oferecendo ajuda em meio à pandemia no Chile.

Na última semana, o Chile superou seus registros diários para a doença, e nesta quarta registrou 4.038 novos casos de coronavírus, aumentando o total de infectados no país para 53.617 casos, e 31 mortos, somando-se ao total de 544 mortes desde 3 de março.

"Se o vírus não nos matar, a fome nos matará", estava escrito em um dos cartazes dos manifestantes.

A polícia e o Exército que garantem o cumprimento do confinamento em Santiago chegaram ao local para controlar os protestos - realizados principalmente por mulheres -, mas permitiram que eles continuassem se manifestando pacificamente nas calçadas, tirando-os das avenidas.

Os protestos começaram na última segunda na comunidade de El Bosque, uma das mais pobres de Santiago, onde os moradores protestaram contra a suspensão dos serviços para o qual a maioria deles trabalha, a construção e o comércio, como forma de conter a Covid-19.

"Muitos trabalham na construção civil, são empregadas domésticas ou funcionários nos shoppings e é tudo o que está fechado. Não sabemos lidar com isso", disse Cecilia, uma das moradoras de La Pintana, à Rádio Cooperativa. A falta de trabalho deixou as famílias mais vulneráveis sem dinheiro para comprar comida, gerando protestos que se espalharam por comunidades da capital chilena.

O governo anunciou que entregará 2,5 milhões de cestas básicas, medida que entrará em vigor no final de maio para as famílias mais vulneráveis, segundo informou o presidente Sebastián Piñera, na última segunda. As autoridades também prometeram auxílio-emergencial para os mais pobres, que os manifestantes declararam insuficientes.


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