O presidente americano, Barack Obama, sancionou nesta quarta-feira uma lei histórica que acaba com a restrição aos gays declaradamente homossexuais de servirem no Exército, enquanto o Senado ratificava o novo acordo START com a Rússia, que Obama assinou com Medvedev em abril passado. Com a sanção desta quarta-feira, Obama realizou a maior mudança social no Exército em décadas, depois de uma longa cruzada de ativistas, em uma cerimônia eufórica em Washington, descartando as alegações dos críticos, segundo os quais uma nova lei de equidade causaria danos à segurança nacional.
A derrocada da lei "Don't Ask, Don't Tell" (Não pergunte, não diga) - segundo a qual os gays poderiam servir ao exército desde que mantivessem sua sexualidade em segredo - era uma meta desejada pelos liberais, embora os conservadores tenham se engajado em uma dura campanha para mantê-la ativa. "Não somos um país que diz 'Não pergunte, não diga'. Somos um país que diz 'Entre muitos, somos um'", disse Obama, durante cerimônia marcada pela euforia no Departamento do Interior, em Washington. "Somos o país que saúda o serviço de todo patriota", acrescentou Obama.
O presidente também deve sancionar em breve o novo tratado START de redução de arsenais nucleares com a Rússia, que acaba de ser ratificado pelo Senado, em um dia vitorioso no âmbito de um ano político marcado por uma economia enfraquecida e pela recuperação republicana. O tratado prevê grandes cortes nos arsenais nucleares russo e americano, depois que os democratas derrotaram uma iniciativa republicana para pôr um fim ao pacto.
Obama planeja conceder uma coletiva pré-natalina, em uma retrospectiva dos dois primeiros anos de sua presidência antes de viajar para passar as Festas de Natal no Havaí, onde nasceu e se reunirá com seus familiares.
Os ativistas de gays e lésbicas compararam a derrubada da lei "Don't Ask, Don't Tell" à queda do Muro de Berlim e à integração racial das Forças Armadas, em 1948.
Segundo os críticos, a decisão afetará negativamente a coesão das tropas em um momento em que as forças americanas estão em guerra no Iraque e no Afeganistão e, no fim, comprometer a segurança americana.
Mas, Obama argumentou que a nova lei "fortaleceria nossa segurança nacional e sustentar os ideais que nossos combatentes homens e mulheres arriscam a vida para defender", acrescentando estar certo de que o Exército implementará a lei com dedicação.
"Dezenas de milhares de americanos militares não terão mais que viver uma mentira ou olhar sobre os ombros para poderem servir ao país que amam", disse o presidente, em um discurso emotivo, no qual também afirmou que a primeira geração de militares declaramente gays representariam os pioneiros, que serviram em silêncio.
"Nunca haverá uma avaliação completa do heroísmo demonstrado pelos gays americanos a serviço deste país. Seu serviço foi ofuscado na História. Se perdeu nos preconceitos que definharam na nossa geração", continuou.
No entanto, a mudança não ocorrerá do dia para noite.
Obama, o secretário de Defesa Robert Gates e o presidente do chefe de Estado-maior conjunto, almirante Michael Mullen, precisam garantir que a suspensão da lei possa ser feita sem comprometer a prontidão, a eficácia, a coesão e o recrutamento das tropas. Assim que esta certificação estiver pronta, a mudança entrará em vigor no prazo de 60 dias.
A vitória de Obama na aprovação do tratado START pelo Senado se seguiu a um um feroz debate sobre o pacto, considerado pela Casa Branca como a pedra fundamental de sua "retomada" de relações com Moscou. "Estamos prestes a escrever um novo capítulo nos 40 anos de história de disputas com a ameaça das armas nucleares", disse, antes da aprovação da lei, o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, John Kerry.
O acordo, que conta com o apoio de todos os secretários de Estado vivos ou pesos-pesados da segurança nacional, restringe os arsenais de cada país a um máximo de 1.550 ogivas, um corte de cerca de 30% no limite estabelecido em 2002, e de 800 lançadores e bombardeiros. Segundo os termos do pacto, os inspetores americanos também voltarão a ter acesso permitido à Rússia, depois de terem sido impedidos de monitorar os arsenais de Moscou desde que a versão anterior do documento expirou em dezembro de 2009.
Obama sanciona lei que elimina restrição a militares gays
"Não pergunte, não diga" afirmava que homossexuais poderiam servir desde que mantivessem sexualidade em segredo