Ao menos 734 pessoas morreram na repressão aos protestos no Irã, informou nesta terça-feira (13) a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, embora tenha acrescentado que o número real provavelmente seja muito maior. Segundo a ONG, o número de mortos inclui nove jovens menores de 18 anos, e milhares também ficaram feridos. O diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que 'os números que publicamos são baseados em informações recebidas de menos da metade do país'.
Entenda a Crise no Irã
O movimento, que começou motivado por dificuldades econômicas, rapidamente ganhou dimensão política e passou a direcionar críticas diretas ao regime teocrático.
A seguir, veja em cinco pontos os principais fatores que ajudam a explicar a crise.
1. Crise econômica foi o estopim das manifestações
Os protestos tiveram início no fim de dezembro de 2025, impulsionados pelo agravamento da crise econômica no país. A população enfrenta inflação elevada, forte desvalorização do rial e aumento expressivo nos preços de alimentos, combustíveis e serviços básicos.
As dificuldades financeiras são atribuídas, em parte, às sanções internacionais, à redução das receitas do petróleo e a problemas estruturais da economia iraniana, o que intensificou o descontentamento social em diversas regiões.
2. Protestos cresceram e passaram a desafiar o regime
Com o passar dos dias, as manifestações se espalharam por várias cidades e deixaram de ter apenas caráter econômico. Parte dos manifestantes passou a fazer críticas diretas ao sistema político e à liderança religiosa, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e a atuação da Guarda Revolucionária.
Segundo a ONG Iran Human Rights, ao menos 192 manifestantes morreram desde o início dos protestos, no que já é considerado o maior levante contra o governo iraniano desde 2022.
3. Repressão violenta e prisões em massa
A resposta do governo foi marcada por repressão intensa. Forças de segurança atuaram para dispersar protestos, com registros de confrontos violentos, detenções em massa e uso de força letal.
O governo iraniano nega abusos e afirma que age para conter distúrbios e proteger a segurança nacional. Já organizações de direitos humanos denunciam violações e alertam para o aumento do número de mortos e presos à medida que os atos avançam.
4. Apagão de internet
Em meio à escalada da crise, o governo impôs um apagão quase total da internet, restringindo o acesso a redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de comunicação.
A medida dificulta a organização dos protestos e limita o fluxo de informações para fora do país, tornando mais difícil a verificação independente dos acontecimentos e dos números de vítimas.
5. Tensão internacional: manifestações de Trump e resposta do Irã
A crise interna ganhou dimensão internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 10, que o país está “pronto para ajudar” enquanto manifestantes enfrentam uma repressão cada vez mais dura no Irã.
Em resposta, o governo iraniano elevou o tom contra Estados Unidos e Israel, acusando ambos de interferência nos protestos.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que forças americanas e o território israelense se tornariam “alvos legítimos” caso Washington leve adiante uma ofensiva contra a República Islâmica.