Mundo

Trump incentiva protestos no Irã e avisa: “ajuda está a caminho”

Presidente dos EUA diz ter cancelado todas as reuniões com autoridades iranianas

Trump incentiva protestos no Irã e avisa: “ajuda está a caminho”
Trump incentiva protestos no Irã e avisa: “ajuda está a caminho” Foto : Andrew Caballero-Reynolds / AFP

Um dia após a ameaçar impor tarifas a países que negociam com Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a Truth Social (rede social) para incentivar a realização de mais protestos em solo iraniano. Além disso, avisou que “ajuda está a caminho”.

"Patriotas iranianos, continuem protestando. Tomem conta de suas instituições. Guardem os nomes dos assassinos e dos abusadores. Eles irão pagar caro. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que as mortes dos manifestantes parem. Ajuda está a caminho”, escreveu.

Ao falar do cancelamento dos encontros com autoridades do Irã, Trump deu a entender que fechou a porta para a via diplomática. A declaração ocorre um dia depois do governo iraniano ter afirmado que estaria pronto para uma eventual guerra, mas que estaria aberto ao diálogo diante da crise econômica.

Veja Também

O Irã já resistiu a ondas de protestos anteriores com repressões, mas desta vez as autoridades estão encontrando dificuldades para lidar com manifestações que se repetem diariamente. O líder supremo Ali Khamenei pediu união para o país na última sexta-feira, mas o descontentamento na região segue.

Sem internet

As conexões telefônicas internacionais foram restabelecidas no Irã nesta terça-feira (13), após quatro dias de interrupção total. No entanto, o país permanece sob um rigoroso apagão de internet que já ultrapassa 108 horas, segundo dados da ONG NetBlocks.

O governo iraniano justifica a medida como uma resposta a supostas "operações terroristas" coordenadas pelo exterior durante a onda de protestos que desafia o regime teocrático do aiatolá Ali Khamenei.

O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou à rede Al Jazeera que o corte digital foi necessário após o governo constatar que ordens para atos violentos partiam de fora do país. Araghchi defendeu que o regime mantinha diálogo com os manifestantes e que a suspensão do serviço ocorreu apenas diante de ameaças à segurança nacional.

Em contrapartida, defensores dos direitos humanos e observadores internacionais acusam Teerã de utilizar o isolamento digital para ocultar a violência da repressão estatal, que teria resultado em centenas de mortes desde o início dos atos, há duas semanas.

Evolução dos protestos e pressão internacional

O movimento, que originalmente questionava a alta do custo de vida, evoluiu para a maior contestação política à República Islâmica desde 1979. A severidade da resposta das forças de segurança gerou uma onda de condenação global.

Embora o restabelecimento das linhas telefônicas permita o fluxo parcial de informações, a manutenção do bloqueio da internet continua a dificultar a verificação independente do número de vítimas e da extensão real dos confrontos no território iraniano.

Retomar o controle

Nesta segunda-feira, milhares de pessoas se reuniram na Praça Enghelab ("Revolução"), no centro do país, agitando bandeiras da República Islâmica em demonstração de apoio ao governo.

Em um discurso à multidão, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país trava uma "guerra contra terroristas" como parte de um conflito "em quatro frentes".

Ghalibaf mencionou as guerras econômica e psicológica, uma "guerra militar" com os Estados Unidos e, "hoje, uma guerra contra os terroristas". Manifestações pró-governo semelhantes também foram relatadas em outras cidades do país, de acordo com imagens transmitidas pela televisão estatal iraniana.

Fontes oficiais iranianas afirmam que dezenas de membros das forças de segurança morreram nos protestos. No entanto, ONGs sediadas fora do Irã alegam que a violência do governo contra os manifestantes já causou centenas de mortes.