Deputados da oposição do Paraguai apresentaram formalmente um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e seu vice, Pedro Alliana, em razão de um escândalo bancário que deixou cerca de três milhões de cidadãos e alguns órgãos governamentais com suas contas bloqueadas, confirmou nesta quarta-feira, 4, à AFP uma fonte do Legislativo.
O deputado Mauricio Espínola, dissidente da base governista, disse à AFP que o documento apresentado ao presidente da Câmara dos Deputados obteve 35 assinaturas e que a convocação para discutir o impeachment "será amanhã, quinta-feira, às 10h" (mesma hora em Brasília). A medida ocorre um dia depois de o Banco Central do Paraguai (BCP) determinar a intervenção no Ueno Bank por causa de uma grave insuficiência de capital. Os serviços da instituição foram suspensos enquanto as autoridades organizam a devolução dos depósitos.
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Peña, que assumiu o cargo em 2023 para um mandato até 2028, possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank, das quais se desvinculou em 2025. O texto da acusação apresentado à Câmara dos Deputados pede a abertura de um processo de impeachment "por mau desempenho de suas funções no exercício do cargo". Entre as acusações estão "conflito de interesses" e questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio.
Os deputados precisam reunir 53 votos, de um total de 80 parlamentares, para aprovar o pedido contra Peña e seu vice-presidente. Se aprovado, o Senado conduzirá o julgamento, que poderá destituir os governantes caso sejam alcançados 30 votos entre os 45 senadores.
O Partido Colorado, ao qual Peña pertence, tem maioria própria nas duas casas do Congresso, embora a legenda seja presidida pelo ex-presidente Horacio Cartes, que está afastado de Peña e é uma figura-chave para definir a posição da base governista.