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Oposição apresenta ao Congresso paraguaio pedido de destituição do presidente por crise bancária

Peña possuía ações de grupo que controlava o Ueno Bank; opositores alegam "conflito de interesses"

Partido Colorado, ao qual Peña pertence, tem maioria própria nas duas casas do Congresso
Partido Colorado, ao qual Peña pertence, tem maioria própria nas duas casas do Congresso Foto : Federico Parra / AFP / CP

Deputados da oposição do Paraguai apresentaram formalmente um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e seu vice, Pedro Alliana, em razão de um escândalo bancário que deixou cerca de três milhões de cidadãos e alguns órgãos governamentais com suas contas bloqueadas, confirmou nesta quarta-feira, 4, à AFP uma fonte do Legislativo.

O deputado Mauricio Espínola, dissidente da base governista, disse à AFP que o documento apresentado ao presidente da Câmara dos Deputados obteve 35 assinaturas e que a convocação para discutir o impeachment "será amanhã, quinta-feira, às 10h" (mesma hora em Brasília). A medida ocorre um dia depois de o Banco Central do Paraguai (BCP) determinar a intervenção no Ueno Bank por causa de uma grave insuficiência de capital. Os serviços da instituição foram suspensos enquanto as autoridades organizam a devolução dos depósitos.

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Peña, que assumiu o cargo em 2023 para um mandato até 2028, possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank, das quais se desvinculou em 2025. O texto da acusação apresentado à Câmara dos Deputados pede a abertura de um processo de impeachment "por mau desempenho de suas funções no exercício do cargo". Entre as acusações estão "conflito de interesses" e questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio.

Os deputados precisam reunir 53 votos, de um total de 80 parlamentares, para aprovar o pedido contra Peña e seu vice-presidente. Se aprovado, o Senado conduzirá o julgamento, que poderá destituir os governantes caso sejam alcançados 30 votos entre os 45 senadores.

O Partido Colorado, ao qual Peña pertence, tem maioria própria nas duas casas do Congresso, embora a legenda seja presidida pelo ex-presidente Horacio Cartes, que está afastado de Peña e é uma figura-chave para definir a posição da base governista.