O bloco de oposição israelense liderado pelo centrista Gadi Eisenkot prometeu nesta terça-feira (3) formar rapidamente um governo para tirar do poder o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, embora haja divergências sobre uma possível aliança com os deputados árabes. Em sua primeira reunião desde as eleições da semana passada, nas quais nenhuma coalizão obteve maioria, os cinco líderes dos partidos de oposição discutiram estratégias políticas em um hotel em Herzliya, ao norte de Tel Aviv, onde mora o ex-chefe militar Eisenkot.
Em uma declaração conjunta, afirmaram que seu objetivo é formar um governo "o mais rápido possível e evitar que Israel seja arrastado para outras eleições".
Os dirigentes mantiveram quatro critérios estabelecidos por Eisenkot. Dois deles se destacam: qualquer partido que integre o governo deve reconhecer Israel como um Estado judeu e condenar o movimento islamista palestino Hamas como grupo terrorista. Essas condições poderiam excluir alguns deputados árabes.
Os partidos árabes conquistaram 19 das 120 cadeiras do Parlamento na semana passada, impulsionados pelo descontentamento de sua comunidade com a retórica do governo de extrema direita de Netanyahu. O bloco de oposição de Eisenkot conquistou 48 cadeiras, enquanto o grupo de Netanyahu obteve 53, das quais 27 pertencem ao seu partido Likud.
Apesar das divergências sobre vários temas, incluindo o papel dos deputados árabes, todos os líderes do bloco de oposição prometem apoiar Eisenkot na formação do próximo governo. "Não temos tempo; devemos agir com muita urgência", declarou a jornalistas Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro de direita cujo partido ficou em terceiro lugar.
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Realidade política
As pesquisas anteriores às eleições mostravam que os apoiadores da oposição judaica estavam divididos sobre a inclusão de partidos árabes no governo. Os israelenses de direita se opõem categoricamente a essa possibilidade.
Yousef Jabareen, líder do maior partido de maioria árabe no próximo Parlamento, declarou à AFP que a oposição precisa aceitar a "realidade política" e se unir para destituir Netanyahu.
Os árabes israelenses são descendentes de palestinos que permaneceram no território após a criação de Israel, em 1948, e representam cerca de 20% da população.
O único dirigente da oposição que apoia abertamente uma aliança com os partidos árabes é Yair Golan, líder do partido de esquerda Os Democratas, que considera racista excluir a minoria árabe. Golan se reuniu com líderes árabes israelenses antes de participar do encontro desta terça-feira com o bloco de oposição. Prometeu que seu partido trabalharia para combater a elevada criminalidade na comunidade árabe e levar "prosperidade e igualdade" a essa minoria.
Avigdor Liberman, integrante de direita do bloco de Eisenkot, rejeita a inclusão de partidos árabes, mas também não quer novas eleições.
Durante a campanha eleitoral, Netanyahu apresentou os partidos árabes como pouco confiáveis e alimentou os temores sobre a criação de um Estado palestino. Na segunda-feira (2), pediu a formação de um "governo nacional amplo" sob sua liderança.
Nenhum líder da oposição se mostrou favorável a um governo de unidade com Netanyahu, o primeiro-ministro que permaneceu por mais tempo no cargo em Israel. Eles criticam sua postura, as acusações de corrupção contra ele e seu fracasso em impedir o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Netanyahu descarta uma coalizão com partidos de maioria árabe. Alega que essas legendas "apoiam o terrorismo e negam a existência do Estado judeu".
Os líderes dos partidos árabes israelenses condenaram unanimemente o ataque, mas não classificaram o Hamas como grupo terrorista. E, embora o líder do partido Raam tenha reconhecido Israel como um "Estado judeu", outros dirigentes resistem a fazê-lo.