Parlamento da Áustria aprova moção de censura e derruba o chanceler Sebastian Kurz

Parlamento da Áustria aprova moção de censura e derruba o chanceler Sebastian Kurz

Líder conservador foi obrigado a deixar o cargo após escândalo envolvendo seu vice

Correio do Povo

Com apenas 525 dias à frente do Executivo, Sebastian Kurz é o chanceler com menos tempo no poder no pós-guerra

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Em uma decisão sem precedentes na história do país, o Parlamento da Áustria aprovou uma moção de censura contra seu chanceler, destituindo-o do cargo. O líder do Partido Popular Austríaco (ÖVP), Sebastian Kurz, foi obrigado a deixar seu posto após os parlamentares votarem a favor do pedido apresentado pelo Partido Social-Democrata (SPÖ, de centro-esquerda), nos desdobramentos do escândalo de corrupção que implodiu a coalizão de governo. A votação contou com o apoio do Partido da Liberdade Austríaca (FPÖ), de extrema direita, outrora membro da coalizão de governo, cujo líder, Heinz-Christian Strache, havia sido obrigado a renunciar à sua posição de número dois, em função da crise.

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O destino do líder de 32 anos, no poder desde o final de 2017, já havia sido selado esta manhã, quando o FPÖ decidiu que votaria a favor da moção de censura. Nos últimos dias, a sigla não parou de atacar Kurz, que os expulsou sem qualquer hesitação do governo após as revelações do caso "Ibizagate". Para Strache, exigir a saída do chanceler era "compreensível e lógico". "A confiança desapareceu", disse o secretário-geral da legenda, Harald Vilimsky. A soma dos 52 deputados do SPÖ e dos 51 do FPÖ configurou uma maioria na Casa, de 183 cadeiras.

Agora, o presidente Alexander Van der Bellen deve nomear um novo chanceler. O Executivo era, desde a semana passada, uma equipe de transição, nomeada por Kurz com o fim da coalizão ÖVP-FPÖ e criticada como uma espécie de governo único disfarçado de ÖVP.

Van der Bellepode deixar o atual governo por um curto período ou até mesmo elencar um novo chanceler de transição para formar um gabinete. O ex-comissário da UE para Agricultura Franz Fischler é apontado como um possível sucessor até as novas eleições planejadas para setembro. O SPÖ quer que o atual governo de transição seja substituído por um gabinete de especialistas. 

Apesar de sua popularidade – segundo uma pesquisa recente, a maioria dos austríacos apoiava a permanência do chanceler no cargo –, Kurz não foi capaz de se manter no poder. Ele acusou os social-democratas e a extrema direita de formarem "uma coalizão" para derrubá-lo. Com apenas 525 dias à frente do Executivo, ele é o chanceler com menos tempo no poder no pós-guerra. Paradoxalmente, a votação da moção de censura aconteceu depois que Kurz saiu vitorioso no domingo com seu partido nas eleições europeias. A sigla obteve 34,9% dos votos, o melhor resultado de um partido desde a entrada da Áustria na União Europeia, em 1995.


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