A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou, nesta quinta-feira, 18, aos líderes europeus reunidos em uma cúpula em Bruxelas que a assinatura de um acordo de livre comércio com o Mercosul será adiada para janeiro, informaram fontes diplomáticas à AFP.
A Comissão Europeia queria que o acordo, que criaria a maior área de livre comércio do mundo, fosse assinado esta semana, mas o plano foi minado depois que a Itália se juntou à França para exigir um adiamento, a fim de buscar maior proteção para o setor agrícola.
- Lula diz que Mercosul está pronto e que “a esperança é a última que morre” sobre acordo com a UE
- Entenda os impasses que dividem a União Europeia sobre o acordo com o Mercosul
- Agricultores bloqueiam ruas em Bruxelas em protesto contra acordo UE-Mercosul
A assinatura estava prevista para o dia 20 de dezembro no Brasil, mas foi adiada diante da resistência de França, Itália e Polônia e dos protestos de milhares de agricultores. O texto está em negociações há 25 anos.
Agricultores europeus temem o impacto negativo da entrada em massa na Europa de carne, arroz, mel ou soja sul-americanos, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção. Em contrapartida, os europeus poderiam exportar veículos e máquinas para o Mercosul.
Lula e Mercosul
Diante das incertezas sobre a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, levantadas principalmente por França e Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o bloco sul-americano está “100% disposto” a concluir o tratado e que a negociação já avançou o máximo possível do lado do Mercosul.
Sobre a resistência francesa, Lula disse que a oposição de Paris nunca foi uma surpresa. A novidade, segundo ele, foi a posição da Itália. O presidente afirmou que conversou por telefone com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, nesta quinta-feira.
De acordo com ele, Meloni disse não ser contrária ao acordo, mas enfrentar dificuldades políticas internas devido à pressão de agricultores italianos.
“Ela me disse que não é contra o acordo, mas que está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores. Disse que acredita que é capaz de convencê-los”, contou.
Segundo Lula, a primeira-ministra pediu “paciência de uma semana ou até um mês” para que o impasse seja superado. “Vou colocar o que ela me falou na reunião do Mercosul, para decidir o que será feito”, afirmou.
O presidente também reconheceu que há resistências internas no Brasil. “Tem muita gente do setor empresarial que é contra o acordo no Brasil”, disse, acrescentando que houve um esforço para convencer esses grupos ao longo das negociações.
- Lula diz que Mercosul está pronto e que “a esperança é a última que morre” sobre acordo com a UE
- Entenda os impasses que dividem a União Europeia sobre o acordo com o Mercosul
- Agricultores bloqueiam ruas em Bruxelas em protesto contra acordo UE-Mercosul
Apesar das incertezas, Lula reafirmou a disposição política de concluir o tratado. “Acho que quando nós, dirigentes, queremos fazer, a gente tem que fazer. E eu quero fazer o acordo porque acho importante, até do ponto de vista político, da defesa do multilateralismo, de valorizar a reconstrução da OMC”, afirmou.
Segundo o presidente, a negociação com a União Europeia se arrasta há 26 anos e ganhou impulso recente após compromissos assumidos por lideranças europeias. “Essa tentativa evoluiu muito nos últimos anos nas conversas e tratativas que tivemos com a União Europeia. Tanto com a Ursula [von der Leyen] quanto com António Costa, eles assumiram o compromisso de que este ano a gente fecharia o acordo”, afirmou.