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Presidente da Comissão Europeia anuncia adiamento da assinatura do acordo UE-Mercosul para janeiro

Acordo pode criar a maior área de livre comércio do mundo

Informação foi confirmada por Ursula von der Leyen durante cúpula de líderes da UE em Bruxelas
Informação foi confirmada por Ursula von der Leyen durante cúpula de líderes da UE em Bruxelas Foto : Nicolas Tucat / AFP / CP

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou, nesta quinta-feira, 18, aos líderes europeus reunidos em uma cúpula em Bruxelas que a assinatura de um acordo de livre comércio com o Mercosul será adiada para janeiro, informaram fontes diplomáticas à AFP.

A Comissão Europeia queria que o acordo, que criaria a maior área de livre comércio do mundo, fosse assinado esta semana, mas o plano foi minado depois que a Itália se juntou à França para exigir um adiamento, a fim de buscar maior proteção para o setor agrícola.

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A assinatura estava prevista para o dia 20 de dezembro no Brasil, mas foi adiada diante da resistência de França, Itália e Polônia e dos protestos de milhares de agricultores. O texto está em negociações há 25 anos.

Agricultores europeus temem o impacto negativo da entrada em massa na Europa de carne, arroz, mel ou soja sul-americanos, considerados mais competitivos devido às suas normas de produção. Em contrapartida, os europeus poderiam exportar veículos e máquinas para o Mercosul.

Lula e Mercosul

Diante das incertezas sobre a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, levantadas principalmente por França e Itália, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o bloco sul-americano está “100% disposto” a concluir o tratado e que a negociação já avançou o máximo possível do lado do Mercosul.

Sobre a resistência francesa, Lula disse que a oposição de Paris nunca foi uma surpresa. A novidade, segundo ele, foi a posição da Itália. O presidente afirmou que conversou por telefone com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, nesta quinta-feira.

De acordo com ele, Meloni disse não ser contrária ao acordo, mas enfrentar dificuldades políticas internas devido à pressão de agricultores italianos.

“Ela me disse que não é contra o acordo, mas que está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores. Disse que acredita que é capaz de convencê-los”, contou.

Segundo Lula, a primeira-ministra pediu “paciência de uma semana ou até um mês” para que o impasse seja superado. “Vou colocar o que ela me falou na reunião do Mercosul, para decidir o que será feito”, afirmou.

O presidente também reconheceu que há resistências internas no Brasil. “Tem muita gente do setor empresarial que é contra o acordo no Brasil”, disse, acrescentando que houve um esforço para convencer esses grupos ao longo das negociações.

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Apesar das incertezas, Lula reafirmou a disposição política de concluir o tratado. “Acho que quando nós, dirigentes, queremos fazer, a gente tem que fazer. E eu quero fazer o acordo porque acho importante, até do ponto de vista político, da defesa do multilateralismo, de valorizar a reconstrução da OMC”, afirmou.

Segundo o presidente, a negociação com a União Europeia se arrasta há 26 anos e ganhou impulso recente após compromissos assumidos por lideranças europeias. “Essa tentativa evoluiu muito nos últimos anos nas conversas e tratativas que tivemos com a União Europeia. Tanto com a Ursula [von der Leyen] quanto com António Costa, eles assumiram o compromisso de que este ano a gente fecharia o acordo”, afirmou.