Segundo um documento apresentado hoje ao tribunal e reproduzido pelo jornal The New York Times, Diallo, natural da Guiné, admitiu ter mentido no pedido de asilo nos Estados Unidos e nas declarações de que havia sido violentada por uma gangue em seu país.
Ela também teria admitido que mentiu ao declarar a renda para obter qualificação para moradia subsidiada e que registrou falsamente como dela a criança de uma amiga, para aumentar suas restituições de imposto de renda.
Policiais citados pelo jornal também disseram que, em 15 de maio, um dia depois do suposto estupro, Diallo falou ao telefone com um homem que cumpre pena pela posse de 200 kg de maconha. Nessa conversa – que foi gravada pelas autoridades –, ela e o detento discutem os possíveis benefícios de fazer acusações contra Strauss-Kahn. Segundo o jornal, esse presidiário é um dos indivíduos que teriam feito depósitos no total de US$ 100 mil na conta de Diallo ao longo dos últimos dois anos.
O caso obrigou Strauss-Kahn a renunciar ao cargo de diretor-gerente do FMI e abalou a possibilidade de ele concorrer à Presidência da França pelo Partido Socialista em 2012, contra o conservador Nicolas Sarkozy, que provavelmente tentará a reeleição. As revelações que levaram à soltura de Strauss-Kahn apareceram um dia depois de o FMI escolher Chrstine Lagarde, até então integrante do governo Sarkozy, para o comando da instituição.
Advogados
Um dos advogados de Strauss-Kahn, Benjamin Brafman, disse hoje acreditar que o ex-diretor-presidente do FMI será declarado inocente, após a na Justiça americana que decidiu liberá-lo da prisão domiciliar. “Os últimos elementos relacionados ao caso reforçam nossa convicção. É um grande alívio", disse Brafman.