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Protestos continuam no Irã, apesar dos temores de repressão brutal

Governo impôs um apagão nacional da internet há 36 horas para conter manifestações

Irã entra neste sábado (10) no terceiro dia de isolamento digital absoluto
Irã entra neste sábado (10) no terceiro dia de isolamento digital absoluto Foto : UGC / AFP

O Irã entra neste sábado (10) no terceiro dia de isolamento digital absoluto, elevando temores de uma repressão brutal contra a maior onda de protestos no país em três anos. Segundo a ONG Netblocks, o governo impôs um apagão nacional da internet há 36 horas para conter manifestações que desafiam a teocracia no poder desde 1979.

A ganhadora do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, e os cineastas Jafar Panahi e Mohammad Rasulof alertam que o bloqueio de comunicações visa encobrir um possível "massacre" pelas forças de segurança.

A repressão estatal já resultou na morte de pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove crianças, além de centenas de feridos, conforme dados da Iran Human Rights. Enquanto a Anistia Internacional analisa evidências de intensificação do uso da força, a televisão estatal iraniana transmite funerais de agentes de segurança mortos em confrontos, com destaque para cerimônias em Shiraz.

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Mobilização urbana e símbolos de resistência

Apesar da censura, imagens verificadas pela AFP mostram que os protestos noturnos persistem em Teerã, Mashhad, Tabriz e Qom. No distrito de Sadatabad, manifestantes entoam "Morte a Khamenei", enquanto em Hamadan surgem bandeiras da era pré-revolucionária.

De Washington, Reza Pahlavi, filho do antigo xá, instou a população a tomar e controlar centros urbanos e manifestou intenção de retornar ao país. No entanto, o presidente Donald Trump, embora apoie os manifestantes e afirme que o povo "está tomando o controle de certas cidades", considerou prematura uma liderança formal de Pahlavi.

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, classifica os manifestantes como "vândalos" e acusa os Estados Unidos de orquestrarem uma "guerra". O governo iraniano encontra-se em posição de vulnerabilidade sem precedentes após o recente conflito com Israel, que incluiu ataques americanos a instalações nucleares em junho, e o restabelecimento de sanções da ONU em setembro. Este cenário de fragilidade militar e crise econômica transformou a insatisfação de comerciantes locais em um movimento político que já evoca as históricas marchas de 2022.