Putin também informou que a Rússia aceitou reduzir em um terço o preço do gás vendido para a Ucrânia, que passaria a custar 268,5 dólares por mil metros cúbicos, ao invés dos mais de 400 dólares atuais. No início do encontro, Yanukovich disse que os dois países deveriam desenvolver uma "associação estratégica".
A Ucrânia, país de 46 milhões de habitantes, está no centro de uma batalha diplomática desde que o presidente decidiu não assinar um histórico acordo de associação com a União Europeia (UE) e tentar fortalecer as relações com a Rússia. A oposição acusa Yanukovich de querer "vender" o país a Moscou, que tenta convencer a Ucrânia a aderir a uma união alfandegária com Rússia, Belarus e Cazaquistão.
No entanto, Putin afirmou que a questão da adesão da Ucrânia à união aduaneira liderada por Moscou não foi discutida durante as negociações. Ainda assim, os dois países assinaram nesta terça um acordo destinado a retirar os obstáculos comerciais junto com uma série de outros documentos.
Yanukovich declarou, no entanto, que é preciso resolver o problema da queda do volume de negócios entre os dois países. "Acredito que devemos coordenar o trabalho, não apenas entre Rússia e Ucrânia, mas também com os outros países da CEI (Comunidade de Estados Independentes - ex-repúblicas soviéticas) para que possa haver realmente uma zona de livre comércio", afirmou.
A oposição ucraniana, que protesta e ocupa a Praça da Independência, no centro de Kiev, há quase quatro semanas, convocou uma nova manifestação para esta terça-feira. Quase 200 manifestantes se posicionaram na estrada que leva ao aeroporto, informou o partido Batkivchina (A Pátria), mas o presidente Yanukovich decidiu seguir para o terminal de helicóptero. "O presidente tem medo dos ucranianos", afirmou Maxim Burbak, deputado do partido, o mesmo da líder opositora detida e ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko.
A súbita decisão do presidente ucraniano de rejeitar o Acordo de Associação com a União Europeia (UE) desencadeou as maiores manifestações contra o governo desde a Revolução Laranja de 2004, que marcou o início de uma aproximação da Ucrânia com o Ocidente. Mas ela também deixou em evidência a profunda divisão entre o setor nacionalista de língua ucraniana, forte no oeste do país, e o leste russófilo alinhado com Moscou. Os acontecimentos dos últimos dias sugerem que Yanukovich está cedendo às pressões e buscando uma forma de escapar da mais grave crise política de seus quatro anos de poder.
Na sexta-feira, uma reunião com três líderes opositores não teve êxito, mas o presidente destituiu autoridades que considerou responsáveis pela violenta repressão aos manifestantes durante os protestos do fim de novembro. Os ministros europeus das Relações Exteriores tentaram tranquilizar o colega russo Serguei Lavrov, afirmando que uma eventual aproximação entre Ucrânia e UE não teria "impacto negativo" sobre a Rússia. Mas em um sinal de degradação das relações, a Rússia deslocou baterias de mísseis de curto alcance Iskander-M para a região de Kaliningrado, perto da área da UE. O anúncio provocou preocupação na Europa e Estados Unidos.