O Ministério da Defesa da Rússia divulgou, nesta quarta-feira (31), imagens de um drone que teria sido abatido durante uma suposta tentativa de ataque a uma das residências do presidente Vladimir Putin. Enquanto o Kremlin classifica o episódio como um "ato terrorista" planejado e ameaça endurecer sua postura diplomática, o governo da Ucrânia rebate as acusações, rotulando-as como uma "mentira inventada" para obstruir as atuais negociações para o fim da guerra.
Segundo o relato oficial de Moscou, o ataque teria ocorrido na noite de 28 de dezembro na região de Novgorod, situada estrategicamente entre Moscou e São Petersburgo. O vídeo divulgado mostra destroços de uma aeronave não tripulada em uma área florestal. Embora o governo russo não tenha confirmado a presença de Putin no local no momento da ofensiva, informou que a propriedade não sofreu danos estruturais. Para reforçar a narrativa, o ministério incluiu o depoimento de um suposto morador local que teria testemunhado a ação.
Rússia publica vídeo de drone derrubado em suposto ataque contra casa de Putin
— Correio do Povo (@correio_dopovo) December 31, 2025
➡️Ataque teria ocorrido na noite de 28 de dezembro na região de Novgorod
📹 ANDREY BORODULIN / AFP / CP pic.twitter.com/ZUJA9JEVZD
O impacto nas negociações de paz
A denúncia russa surge em um momento de intensa atividade diplomática. No último domingo, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky reuniu-se com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida. Após o encontro, Trump afirmou que as partes estão "mais perto do que nunca" de um acordo para encerrar o conflito iniciado em 2022. Para Zelensky, a acusação de Moscou é uma estratégia deliberada para minar esse progresso e isolar os esforços de mediação internacional.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, endossou a visão ucraniana ao classificar as alegações russas como "infundadas". Segundo Kallas, o Kremlin utiliza essa "distração deliberada" para desviar o foco de avanços reais em direção à paz. A diplomata reiterou que tais táticas buscam desgastar o apoio dos parceiros ocidentais a Kiev no momento em que as discussões sobre um cessar-fogo ganham novo fôlego global.