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Secretário particular do Papa será convocado para julgamento de mordomo

Tribunal do Vaticano julga escândalo do vazamento de documentos de Bento XVI

Tribunal do Vaticano julga escândalo do vazamento de documentos de Bento XVI
Tribunal do Vaticano julga escândalo do vazamento de documentos de Bento XVI Foto : Osservatore Romano / AFP / CP
O julgamento contra o mordomo do papa Bento XVI, suspeito de ter roubado dezenas de documentos confidenciais que revelam as tensões em meio às mais altas esferas da Igreja católica, começou neste sábado no Vaticano. A primeira audiência determinou que o secretário particular do papa, monsenhor Georg Ganswein, superior direto do mordomo, será convocado como testemunha no julgamento, que será retomado na próxima terça-feira.

Ganswein, de 56 anos, considerado por alguns como a eminência parda do sumo pontífice, era a única testemunha citada com nome e sobrenome nos documentos processuais. O mordomo Paolo Gabriele, de 46 anos, comparece ante três juízes laicos, a princípio junto a seu cúmplice, o técnico em informática Claudio Sciarpelletti, mas, a pedido de um dos advogados, os magistrados aceitaram separar os processos dos dois réus.

O processo é aberto à imprensa, um fato inédito na história do Estado Pontifício, conhecido por seus segredos. A duração do julgamento, que acontece quatro meses depois de sua prisão, é incerta, mas por ele vão passar diferentes testemunhas que devem contar sua versão sobre este o caso.

A investigação confirmou que o mordomo não agiu sozinho. Além do técnico em informática, a identidade de seus possíveis cúmplices são ocultadas. "Gabriele já admitiu sua culpa. Portanto, acho que será condenado. Mas pelo quê? Ninguém sabe. Ninguém sabe também se no final receberá a absolvição do Papa, o que é possível", diz um jornalista do Vaticano. "Este julgamento começa muito rápido", ressaltou, "o que indica provavelmente uma vontade do papa, e também do cardeal Tarcisio Bertone (secretário de Estado e número dois da Santa Sé), de encerrar esta história o quanto antes", acredita.

O escândalo do vazamento de documentos do papa e da Santa Sé, conhecido como "Vatileak", veio à tona no início deste ano, quando uma televisão italiana revelou cartas enviadas a Bento XVI pelo núncio nos Estados Unidos, o arcebispo Carlo Maria Viganó, nas quais ele denunciava a "corrupção, prevaricação e má gestão" na administração do Vaticano. Em 19 de maio foi publicado um livro com uma centena de novos documentos secretos do Vaticano que revelam supostas tramas e intrigas no pequeno Estado, e no dia 24 de maio Gabriele foi detido. Após 53 dias, ele foi colocado em prisão domiciliar.

A hipótese mais comum sobre a origem dos vazamentos é que se trata de uma rebelião contra a falta de transparência e gestão do cardeal Bertone (uma espécie de chefe de Governo do papa), com o objetivo, até agora frustrado, de provocar sua demissão. Para os céticos, o julgamento do mordomo seria uma forma de sufocar o caso processando um homem provavelmente culpado, mas manipulado. Outros pensam que este julgamento é apenas o início de uma operação verdadeiramente transparente, que teria recebido a autorização de Bento XVI.

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