O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (7), uma mudança radical em suas diretrizes nutricionais federais. A nova política, impulsionada pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., desencoraja o consumo de alimentos ultraprocessados e açúcares adicionados, enquanto promove a carne vermelha e laticínios integrais — itens antes limitados por recomendações científicas prévias.
O novo guia eleva proteínas e gorduras saudáveis ao mesmo patamar de frutas e vegetais, alterando o equilíbrio histórico da pirâmide alimentar americana.
Críticas e elogios da comunidade científica
A recepção entre especialistas em saúde pública foi mista. A recomendação de reduzir açúcares e ultraprocessados — que hoje compõem cerca de 55% das calorias ingeridas pelos americanos — foi amplamente celebrada. Marion Nestle, professora da Universidade de Nova York, classificou este ponto como uma "recomendação sólida".
No entanto, a ênfase em manteiga e laticínios integrais gerou fortes críticas. Especialistas como Peter Lurie, do Centro para a Ciência no Interesse Público, argumentam que a nova orientação ignora décadas de evidências científicas e favorece diretamente os lobbies das indústrias da carne e do leite.
Grãos na base
Uma das alterações mais visíveis no novo gráfico federal é o rebaixamento dos grãos integrais, como a aveia, que agora aparecem na base da hierarquia nutricional, abaixo das proteínas animais. Kennedy Jr. prometeu que as diretrizes "revolucionarão" a saúde nacional, alinhando-se ao movimento "Make America Healthy Again" (MAHA).
Para os críticos, contudo, a proposta é vista como "ideológica e retrógrada", pois mina orientações consolidadas sobre saúde cardiovascular em troca de um modelo focado em alimentos in natura, mas com alto teor de gorduras saturadas.