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Sindicato denuncia detenção de 16 jornalistas durante posse do Parlamento na Venezuela

Assembleia Nacional da Venezuela iniciou, na segunda-feira, um novo período legislativo (2025-2031) e determinou Delcy Rodríguez como presidente interina

Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela
Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina da Venezuela Foto : FEDERICO PARRA / AFP / CP

O sindicato venezuelano de imprensa informou, nesta terça-feira (6), a detenção e a posterior libertação de 16 jornalistas e trabalhadores da mídia durante a posse do novo Parlamento. A Assembleia Nacional da Venezuela iniciou, na segunda-feira (5), um novo período legislativo (2025-2031) e determinou Delcy Rodríguez como presidente interina no lugar de Nicolás Maduro, deposto durante uma operação militar dos Estados Unidos.

"Durante a sessão de posse da Assembleia Nacional, foram detidos, em Caracas, 14 jornalistas e trabalhadores da mídia", informou o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) nas redes sociais. "Treze deles de agências e veículos internacionais e um de veículos nacionais". Todos foram libertados e um, deportado, segundo o sindicato.

O sindicato também reportou a detenção de outros dois correspondentes internacionais na fronteira com a Colômbia, que também foram libertados após horas incomunicáveis. A imprensa foi submetida a uma "revisão de equipamentos, desbloqueio de celulares, rastreamento de ligações e mensagens em plataformas de comunicação e redes sociais", acrescentou o SNTP.

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A ação no Parlamento coincidiu com uma marcha do chavismo para exigir a libertação de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que enfrentam acusações de narcotráfico e terrorismo em Nova York. A presença policial e militar aumentou durante a sessão, que terminou à noite com o registro de disparos perto do palácio presidencial.

As autoridades explicaram que dispararam contra um drone que sobrevoava sem autorização .Em comunicado, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) exortou às autoridades venezuelanas a "cessar qualquer ação que limite o exercício da liberdade de imprensa" no país sul-americano.

"Nenhuma circunstância justifica a detenção, intimidação ou criminalização de jornalistas por cumprir com seu trabalho de informação. O jornalismo não pode ser tratado como uma ameaça, mas como um serviço público essencial", declarou Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP. Segundo o SNTP, mas de 400 veículos de comunicação fecharam nos últimos 20 anos sob os governos de Maduro e de seu antecessor Hugo Chávez (1999-2013).