O nível de acidificação dos oceanos superou o limite compatível com ecossistemas estáveis e sustentáveis, excedendo sete dos nove “limites planetários”, afirmou o instituto de pesquisa que realiza essas medições nesta quarta-feira, 24.
Em 2009, cerca de trinta pesquisadores definiram o conceito de "limites planetários" em um artigo intitulado "Um espaço seguro para a humanidade". Naquela época, eles estimavam que a humanidade havia "ultrapassado pelo menos três limites planetários".
Deste então, os informes anuais do Instituto de Investigação do Clima de Potsdam (PIK) tem mostrado uma degradação contínua.
Os limites ultrapassados
Os outros seis limites amplamente ultrapassados se referem às alterações climáticas, ao desmatamento, à perda de biodiversidade, à proliferação de produtos químicos sintéticos (incluindo plásticos), à escassez de água doce e ao equilíbrio do ciclo do nitrogênio (insumos agrícolas).
Os dois limites planetários que ainda não foram superados são os aerossóis na atmosfera (poluição do ar) e o nível de ozônio na estratosfera.
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Oceanos
O informe de 2025 indica que acaba de ser superado o limite da "acidificação dos oceanos".
"O oceano está acidificando, o que ameaça a vida marinha e nos leva a condições perigosas, com uma tendência que segue piorando", escreveram seus pesquisadores.
Ainda que a acidez seja medida pelo pH, a referência para este limite é a concentração de aragonita, um mineral indispensável para a vida dos corais e dos animais marinhos com concha. Quanto mais ácido o oceano, mais a aragonita se desintegra.
O limite mínimo foi fixado em 80% de concentração na era pré-industrial. E os oceanos caíram abaixo desse nível. "O pH na superfície do oceano já diminuiu aproximadamente 0,1 desde o início da era industrial. Isso equivale a um aumento da acidez entre 30% e 40%", apontaram os cientistas.
"Esta mudança ameaça os organismos que formam conchas ou esqueletos de carbonato de cálcio, como os corais, moluscos ou espécies cruciais de plâncton. O desaparecimento progressivo destes organismos pode alterar a cadeia alimentar", explicaram.
A principal causa da acidificação dos oceanos é a absorção do dióxido de carbono (CO2), emitido pela queima de combustíveis fósseis.