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Trump diz que é "em grande parte verdade" que a guerra com Irã provocou a derrota republicana nas midterms

Presidente dos EUA afirmou que conflito “fez com que o preço da gasolina subisse um pouco no curto prazo”

Trump se pronuncia após resultado das eleições
Trump se pronuncia após resultado das eleições Foto : Mandel Ngan / AFP / CP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (4) que a guerra com o Irã foi o principal fator para a ampla derrota de seu partido nas eleições de meio de mandato, depois que o vice-presidente JD Vance pediu aos republicanos que fossem "honestos" a respeito.

Questionado se concordava com a afirmação de Vance de que o Irã foi "a razão" da derrota eleitoral, Trump, em conversa com jornalistas no canteiro de obras do salão de festas da Casa Branca, respondeu: "Acho que, em grande parte, é verdade, porque fez com que o preço da gasolina subisse um pouco no curto prazo".

Trump ainda disse que uma nova tentativa de impeachment contra ele no Congresso "destruiria" a oposição. "Acho que isso destruiria o Partido Democrata. Impeachment por qual motivo? Porque temos um país bem-sucedido?", questionou o mandatário republicano aos jornalistas.

Trump descartou a possibilidade de demitir o secretário de Defesa, Pete Hegseth, apesar de ter atribuído à guerra com o Irã a derrota esmagadora sofrida pelos republicanos nas eleições de meio de mandato.

"Não, acho que ele está fazendo um ótimo trabalho", respondeu Trump ao ser questionado sobre a possibilidade de substituir Hegseth.

Derrota esmagadora

A oposição democrata impôs a Trump e aos republicanos uma derrota esmagadora ao recuperar, na terça-feira, o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado.

Ainda não se sabe qual será, a partir de agora, a estratégia do presidente americano em relação à república islâmica, que oscila entre seu desejo declarado de pôr fim à guerra e suas ameaças de acabar com o Irã.

Diversos eleitores americanos ouvidos pela AFP no dia da votação mencionaram o aumento do custo de vida e a guerra no Irã para explicar sua escolha nas urnas.

É o caso de Gabrielle Schlueter, uma eleitora de 69 anos da Geórgia, já aposentada, para quem "o fato de estarmos em plena guerra praticamente não traz nenhuma vantagem".

"Fardo político"

"A mensagem dos eleitores é clara: eles querem se livrar dos custos econômicos da guerra. A questão é se Trump vai perceber isso ou se persistirá na mesma política que contribuiu para essa derrota histórica", avaliou à AFP Sina Toossi, do Centro de Estudos Internacionais, em Washington.

Em um e-mail, Toossi afirmou que Trump se encontra "agora em um beco sem saída". A guerra no Irã é um "fardo político" para o presidente, acrescentou.

Uma escalada com Teerã não oferece "nenhum caminho claro para a vitória e corre o risco de prejudicar ainda mais sua Presidência".

No exterior, essas eleições foram acompanhadas com uma atenção incomum para uma votação de meio de mandato, justamente devido ao caráter imprevisível do magnata republicano, inclusive em relação ao Irã.

"Seja por consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós apoiamos essa mensagem", escreveu o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em sua conta na rede social X.

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, mostrou-se, no entanto, mais cauteloso ao declarar que aqueles que esperam uma mudança na política dos Estados Unidos "estão enganados", segundo afirmou em um comunicado publicado em seu site oficial.

Os líderes democratas no Congresso, Hakeem Jeffries e Chuck Schumer, pediram nesta quarta-feira o fim da guerra no Irã. "O povo americano não sabe por que estamos lutando no Irã. Esta guerra precisa acabar", afirmou Schumer.

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Mas o que Donald Trump fará?

Os eleitores americanos estabeleceram "uma relação entre a situação no Irã e sua própria situação financeira, associando-a diretamente à crise do poder de compra que estamos enfrentando", destacou Todd Belt, professor da Universidade George Washington.

Não está claro se o presidente "levará isso em consideração e tentará resolver essa questão o mais rápido possível ou se, pelo contrário, se envolverá profundamente no conflito", comentou à AFP.

Nos últimos dias, alguns veículos de comunicação mencionaram a possibilidade de uma campanha militar breve e intensa após as eleições, impulsionada especialmente pelo primeiro-ministro israelense em fim de mandato, Benjamin Netanyahu, cujo partido saiu vitorioso nas eleições legislativas israelenses, embora sem conquistar a maioria no Parlamento.

O próprio presidente americano declarou neste fim de semana estar disposto a desferir um "golpe contundente" contra o Irã. De fato, os Estados Unidos bombardearam uma ilha iraniana na segunda-feira.

No entanto, alerta Toossi, "uma nova escalada de grandes proporções poderia desencadear represálias devastadoras do Irã, provocar novos abalos na economia mundial e, potencialmente, gerar uma rebelião aberta dentro de seu próprio partido".