O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não quer ver pessoas "feridas ou mortas nas ruas dos Estados Unidos", declarou nesta segunda-feira (26) a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, após a morte de duas pessoas em protestos contra operações anti-imigração em Minneapolis.
Simultaneamente, o mandatário republicano exigiu o fim "da resistência e do caos" nesta cidade do norte do país, que registra protestos diários contra os agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, sigla em inglês) e a polícia fronteiriça.
Após a morte a tiros, no último sábado, de um enfermeiro intensivista ao entrar em confronto com agentes em uma rua de Minneapolis, o presidente quer "que a investigação continue e que os fatos guiem o caso".
A morte de Alex Pretti, esse manifestante de 37 anos que filmava os agentes, é uma "tragédia" que se deve a "uma resistência deliberada e hostil dos líderes democratas em Minnesota", acrescentou a porta-voz.
"Durante semanas, o governador Walz, o prefeito Jacob Frey e outros democratas eleitos estiveram difundido mentiras sobre os agentes federais que arriscam a vida diariamente para tirar das nossas ruas os piores estrangeiros criminosos em situação ilegal", acusou a porta-voz.
O governador Walz e o prefeito Frey exigem a retirada dos agentes federais que fazem operações maciças em localidades como Minneapolis, oficialmente "cidades santuário", isto é, que se recusam a cooperar no tema migratório.
A morte do enfermeiro ocorreu menos de três semanas após a cidadã americana Renee Nicole Good, também de 37 anos, ter sido baleada e morta por um agente do ICE durante uma operação contra imigrantes em situação irregular. Desde então, a cidade vive uma escalada de manifestações contra a presença maciça de agentes federais.
"Basta ver o vídeo. Qualquer um que tenha olhos pode ver o que aconteceu naquele dia. Esta não é a América que queremos", declarou à AFP Tricia Dolley, enfermeira de 38 anos.
Audiências judiciais
Um tribunal federal de Minnesota realizou uma audiência nesta segunda-feira sobre se a mobilização do ICE viola as leis em Minnesota.
Em outra audiência, uma juíza apreciou a demanda da procuradora-geral do estado para evitar que o governo federal possa supostamente destruir provas relacionadas ao homicídio de Pretti.
Minneapolis, governada pelos democratas, é uma cidade-santuário, o que significa que sua polícia não coopera com as forças migratórias federais.
Vários senadores do Partido Republicano — o mesmo de Trump — pediram uma investigação exaustiva sobre os homicídios e cooperação com as autoridades locais.
Os democratas no Congresso ameaçam bloquear votações orçamentárias iminentes se não for suspensa a mobilização do ICE e da polícia fronteiriça nas cidades-santuário.
"Esta repressão violenta deve acabar. Não posso votar a favor de financiar o DHS enquanto este governo continuar aplicando esta política violenta em nossas cidades", assegurou em sua conta do X o senador democrata da Virgínia, Mark Warner.
- Trump baixa o tom e anuncia colaboração com governador de Minnesota após morte de civis
- Trump culpa “caos” democrata pelas mortes de dois norte-americanos por seus agentes federais
- Quem era Alex Pretti, o enfermeiro morto por agentes da imigração em Minneapolis
O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, explicitou a posição de seu partido, assegurando que bloquearia qualquer novo financiamento que incluísse o DHS, que considera "lamentavelmente inadequado para controlar os abusos do ICE".
"Deportamos dez vezes mais de estrangeiros ilegais do Texas que de Minneapolis. Por que não há problemas no Texas? Porque no Texas temos a cooperação e o apoio de forças da ordem locais" declarou por sua vez o procurador-geral adjunto, Todd Blanche.
Em ano eleitoral, Trump mantém também a pressão sobre outra frente política em Minnesota.
"Separadamente, continua uma grande investigação sobre a maciça fraude dos serviços sociais, de mais de 20 bilhões de dólares [R$ 105,5 bilhões], que ocorreu em Minnesota", explicou Trump na Truth Social.
O governo Trump empreendeu uma ampla revisão das ajudas recebidas majoritariamente pela comunidade somali neste estado governado pelos democratas.