A Ucrânia afirmou nesta segunda-feira, 2, que uma série de ataques russos contra uma escola onde era distribuída ajuda humanitária deixou pelo menos 26 mortos e acabou com as frágeis esperanças de alcançar "avanços rumo à paz", após o término de uma trégua local no sul do país. A Rússia retomou os ataques contra a região meridional de Kherson após o fim de um cessar-fogo local na área.
A suspensão dos combates - negociada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, para permitir uma missão humanitária na cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia - terminou no domingo. A trégua havia começado na terça-feira, e nenhuma das partes denunciou violações durante o cessar-fogo.
No entanto, horas depois, a Rússia atacou repetidamente uma localidade da região de Zaporizhzhia, vizinha à de Kherson, causando pelo menos 26 mortes. Algumas das vítimas haviam ido buscar ajuda em uma escola local, segundo o governador regional interino. Imagens divulgadas pelos serviços ucranianos de emergência mostravam o edifício reduzido a escombros e equipes de resgate trabalhando no local.
"A ajuda humanitária estava sendo distribuída ali. Após o primeiro ataque com uma bomba aérea, ocorreu um segundo ataque, com outras nove bombas, direcionado especificamente contra o abrigo onde as pessoas haviam se refugiado", declarou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, nas redes sociais, classificando os ataques como "absolutamente horríveis".
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Entre os mortos estavam "um policial e dois socorristas do Serviço Estatal de Emergências", informou no Telegram o governador regional interino, Mikhailo Semikin.
Zelensky afirmou que, após a trégua em Oleshky, "houve um momento em que os próximos passos poderiam ter demonstrado que o avanço rumo à paz era possível". Mas, "com esse massacre, a Rússia envia um sinal completamente oposto: aposta em novos assassinatos. Haverá uma resposta", acrescentou.
Rússia reforça suas posições
O cessar-fogo da semana passada permitiu a retirada de pessoas de Oleshky. Foi a pausa mais longa nos combates entre os dois países vizinhos desde o início desta guerra, que entra em seu quinto ano após a invasão russa de 2022, deixou centenas de milhares de mortos e obrigou milhões de pessoas a abandonar suas casas.
Uma fonte ucraniana de alto escalão declarou no domingo à AFP que a Rússia havia rejeitado uma proposta da Ucrânia para prorrogar a trégua. O Exército ucraniano também acusou Moscou de ter aproveitado a suspensão dos combates para "reforçar suas posições".
O Kremlin não negou as acusações. Seu porta-voz, Dmitry Peskov, declarou nesta segunda-feira a jornalistas: "É uma prática completamente normal nesse tipo de situação". A trégua permitiu a transferência de pessoas tanto para territórios controlados pela Ucrânia quanto para a Crimeia, anexada por Moscou.
A previsão é que as negociações entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos, sejam retomadas neste mês. O presidente Donald Trump tem pressionado pela conclusão de um acordo que ponha fim à guerra, mas os esforços não produziram resultados.