Os dois, refugiados na Turquia, eram acusados de tramar o assassinato de cerca de 150 funcionários iraquianos, incluindo seis juízes e o diretor-geral do ministério da Segurança Nacional. Hashemi nega todas as acusações. O tribunal de Bagdá indicou que a sua responsabilidade no assassinato de uma advogada e do general Talib Belassim foi estabelecida por provas suficientes para condená-los à morte por enforcamento. Os juízes receberam o pedido do advogado dos réus de manter duas acusações, mas de abandonar uma terceira sobre o assassinato de um membro do alto escalão das forças de segurança.
A defesa descreveu o julgamento de Hashemi como injusto e acusou o tribunal de ceder à pressão política. Em resposta, um juiz ameaçou: "vocês atacam o Judiciário. Se continuarem, vão responder por suas palavras". De acordo com a lei iraquiana, Hashemi e seu genro têm 30 dias para recorrer da sentença.
Um mês após início do julgamento, Hashemi se refugiou na Turquia
O julgamento de Tareq al-Hashemi foi aberto à revelia em 15 de maio, em Bagdá. E durante as audiências, o réu não parou de contestar as acusações contra ele e culpar o seu inimigo político, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, em canais de televisão internacionais.
Nascido em 1942, Hashemi chegou à vice-presidência do Iraque em abril de 2006. Líder do Partido Islâmico do Iraque, com alguns membros com ligações com insurgentes sunitas, fundou posteriormente o Partido de Renovação (Tajdid, em árabe), membro do bloco laico Iraqiya, dominado por sunitas. Vitorioso em número de cadeiras nas eleições de 2010, o Iraqiya foi ofuscado por Maliki.
Reeleito vice-presidente em 2010, Tarek al-Hashemi foi indiciado em dezembro passado, logo após a saída das tropas americanas do Iraque, de dirigir esquadrões da morte. Hashemi e seus partidários denunciam há mês um julgamento para fins puramente políticos, como parte do conflito entre Iraqiya e Maliki, um xiita, que eles acusam de autoritarismo.
Primeiro refugiado na província autônoma do Curdistão, onde as autoridades se recusaram a devolvê-lo para Bagdá, Hashemi foi para a Turquia em abril. Mais uma vez, as autoridades se recusaram a extraditá-lo, apesar do pedido de prisão pela Interpol por "financiar ataques terroristas" em seu país.