Polícia

“Acusação misógina”, diz defesa de ré por assassinato de filha em Novo Hamburgo

Kauana do Nascimento responde por homicídio de Anna Pilar, de sete anos

Kauana do Nascimento é julgado no Foro de Novo Hamburgo
Kauana do Nascimento é julgado no Foro de Novo Hamburgo Foto : Marcel Horowitz / CP

Ocorre nesta terça-feira o julgamento de Kauana do Nascimento, de 32 anos, acusada de matar a facadas sua filha Anna Pilar, de sete anos, no dia 9 de agosto de 2024, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. O juiz Flávio Curvello Martins de Souza, titular da 1ª Vara Criminal, preside o tribunal de júri no Foro local. A previsão é que os trabalhos se estendam ao longo do dia.

Sete juradas formam o Conselho de Sentença. O promotor Robson Jonas Barreiro atua em nome do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A defensora pública Tatiana Boeira representa a ré, que está presa preventivamente desde a época dos fatos.

Cinco testemunhas foram ouvidas em plenário. Um policial civil e o ex-marido da ré foram arrolados pelo MPRS. Já a defesa, arrolou uma psiquiatra, um amigo e a mãe da mulher. Ela será interrogada no turno da tarde.

A denúncia sustenta que o homicídio foi cometido por motivo torpe, em retaliação ao pai da criança, que tinha outro relacionamento. O crime tem qualificadoras de emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, somado ao fato de ter sido praticado contra uma menor de 14 anos.

De acordo com Tatiana Boeira, o crime foi consequência de transtornos psiquiátricos e há laudos que atestam a semi-imputabilidade da ré. A defensora pública também diz que a acusação é misógina.

“Dizer que a mãe matou a filha por ciúmes é uma acusação extremamente misógina. Isso beira o ridículo. Este tipo de tese não poderia mais ser sustentado no RS, onde há altos índices de feminicídio”, afirma Tatiana Boeira.