Polícia

Acusados de integrar grupo de extermínio em Canoas participam de audiência

Réus respondem por homícios e tráfico de drogas cometidos na Região Metropolitana

Na manhã desta segunda-feira, começaram as audiências de instrução do processo da Operação Cova Rasa, que apurou o tráfico de drogas e homicídios cometidos em Canoas. São 23 réus que, segundo a Polícia Civil, integraram um grupo de extermínio na Região Metropolitana. Hoje, na 3ª Vara Criminal da Justiça da cidade, a instrução vai tratar sobre o tráfico de drogas. Pela manhã, serão ouvidas as testemunhas de acusação e, à tarde, falam as de defesa e depois os réus.

Na terça-feira, também na Vara do Júri da Justiça de Canoas, a instrução vai ser focada nos crimes de homicídios cometidos pelo bando. Entre os réus, dois líderes da quadrilha: Lauri Sávio Cunha, o Mano, considerado o “número 2”, e Jaime Evangelista, o Nego Jaime, apontado como líder, e que de dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC) ordenou a execução de pelo menos uma dezena de desafetos.

“Através de telefones celulares, principalmente, ele mandava matar opositores”, disse o delegado Guilherme Pacífico, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, que coordenou as investigações. Em 2009, durante a operação policial, 62 pessoas foram presas.

Segundo Pacífico, Nego Evangelista, de 36 anos, comandava, através de celulares, de dentro das três casas prisionais, a organização criminosa que pretendia assumir o controle total do tráfico de drogas em Canoas. A quadrilha foi desmantelada na megaoperação Cova Rasa, realizada pela Polícia Civil e Brigada Militar, no dia 4 de junho deste ano.

Pacífico lembrou que, nas investigações da Cova Rasa, surgiu a suspeita de contatos da quadrilha com a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). A organização de Nego Evangelista movimentava, então, cerca de R$ 320 mil por mês com o narcotráfico. Desde 2007, mais de 50 assassinatos na cidade teriam sido ordenados por esse grupo. Muitos dos cerca de 40 presos na operação de junho já estariam novamente em liberdade.