Advogados se mobilizam no caso dos quatro mortos por PM em pizzaria de Porto Alegre

Advogados se mobilizam no caso dos quatro mortos por PM em pizzaria de Porto Alegre

Versões dos familiares e do policial militar sobre os acontecimentos são apresentadas

Correio do Povo

Policiais civis analisam imagens de uma câmera de monitoramento do estabelecimento

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O caso dos quatro homens mortos por um policial militar dentro do banheiro de uma pizzaria de Porto Alegre mobiliza advogados de ambas as partes envolvidas. De acordo com o advogado Ismael Schmitt, que representa a família das vítimas, o policial militar invadiu a residência onde estavam oito pessoas comemorando um aniversário. Segundo ele, o PM entrou na casa gritando e mandando parar com o barulho que estava lhe incomodando. De acordo com Ismael Schmitt, um tapa foi também desferido em uma das mulheres da festa.

“Após ele sair, os participantes da festa ficaram pensando e resolveram tirar satisfações”, contou o advogado à reportagem do Correio do Povo. Na pizzaria, conforme Ismael Schmitt, um dos homens teria tentado frear o ímpeto dos outros três, impedindo que eles tentassem entrar no banheiro onde estava o brigadiano. Um dos homens avançou, relatou o advogado, e abriu a porta do banheiro, sendo baleado. “Este que tentou barrar os outros pede para que policial militar lhe deixe socorrer o parente, mas são desferidos mais tiros”, observou.

O fato ocorreu dentro do estabelecimento comercial, situado na avenida Manoel Elias, no bairro Mário Quintana, na madrugada do último domingo. Houve o registro dos acontecimentos em imagens de uma câmera de monitoramento existente no recinto de acesso ao banheiro.

As vítimas baleadas e mortas no local foram identificadas como dois irmãos, de 33 e 38 anos, um sobrinho, de 26 anos, e um primo, de 28 anos, já sepultados na segunda-feira. Os familiares exigem justiça e realizaram até uma manifestação de protesto, no final da tarde desta terça-feira, na rótula das avenidas Manoel Elias e Protásio Alves.

Defesa 

Já os advogados David Leal e Raiza Hoffmeister, defensores do policial militar, emitiram uma nota oficial. “Meu cliente disse para o grupo que estava atrás da amiga da ex-namorada na casa, que estava com um som alto e com os portões abertos, dando a entender que seria uma festa. Ao verem o PM dentro da residência, as pessoas que estavam na festa abordaram ele de forma muito hostil, todos embriagados e alterados. Ele não havia bebido”, relataram.

“O PM disse que era policial e que morava perto, pedindo que não fizessem tanto barulho, mas logo começaram a intimidá-lo e o cercaram. Vendo que todos estavam totalmente intransigentes e que iriam agir de forma violenta, o PM saiu correndo. Saiu da ruazinha, correu pelo beco, atravessou a avenida e entrou na pizzaria, pedindo socorro ao proprietário e tentou se esconder no estabelecimento. Quando correu para dentro do banheiro, deixou a porta entreaberta para manter o campo de visão limpa”, acrescentaram.

“Eles invadiram a pizzaria sem autorização do dono. O PM então avisa para irem embora. Os integrantes do grupo desconsideram e correm para matá-lo. Ele então avisa para se afastarem. Não se afastaram. Quando foram com pontapés e socos para arrombar a porta do banheiro, o PM ainda avisa para se afastarem e alertando que atiraria. Eles avançaram, ameaçando-o e em maior número. O PM empurra com o braço o primeiro (maior). Não adianta. Eles partem pra cima. Eis que o PM dá o primeiro disparo, não havendo mais alternativas, pois ele estava encurralado no banheiro. Em vez de fugirem, todos partem mais agressivos para cima do PM encurralado. Ele então dispara contra os demais, não lhe restando qualquer alternativa”, concluem os dois advogados na nota oficial.

À reportagem do Correio do Povo, o advogado David Leal enfatizou que “não houve qualquer excesso, pois ele não fez nada contra as mulheres e manteve o controle o tempo todo”. Na avaliação dele, as imagens “explicam tudo e falam por si”. O advogado frisou que seu cliente “usou de todos meios necessários para evitar o mal maior, mas nada adiantou e se eles entrassem em luta corporal, pegariam a arma do policial militar e o matariam”.

Investigação

O titular da 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (5ª DPHPP), delegado Gabriel Lourenço, ouviu na tarde da última terça-feira as duas mulheres que estavam com as vítimas dentro da pizzaria. Elas prestaram depoimentos e foram liberadas.

O policial militar, lotado no 20° BPM, também foi ouvido na terça-feira pelo delegado Gabriel Lourenço, sendo liberado depois. A equipe do titular da 5ª DPHPP aguarda os laudos periciais, analisa imagens do vídeo da câmera de monitoramento da pizzaria e busca colher os depoimentos de quem estava na festa, entre outras diligências dentro da investigação. A tese de legítima defesa do brigadiano é uma das hipóteses apuradas.


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