Familiares e amigos da enfermeira Patrícia Rosa dos Santos, 41 anos, morta pela ingestão de sedativos em outubro do ano passado, em Canoas, realizaram uma manifestação pacífica e silenciosa nesta segunda-feira em frente ao Fórum da cidade, onde aconteceu a primeira audiência, uma das fases iniciais do rito processual. Ao menos, 11 testemunhas de acusação foram intimadas para prestar depoimento sobre o caso durante toda a tarde. O marido, médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), André Lorscheitter Baptista, 48 anos, atualmente detido do sistema prisional, foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
A irmã da vítima, Priscila Santos, é uma das principais testemunhas de acusação ouvida hoje juntamente com outros nove policiais que atenderam o caso e participaram diretamente do desenrolar da ocorrência, ainda na data que aconteceu. "Estamos aguardando que a justiça seja feita. A maldade dele não tem limites. O laudo do Instituto-Geral de Perícias apontou a presença de uma grande quantidade de medicação no sorvete que ele dava para ela. Ele é um manipulador, um psicopata e tenho certeza de que planejou tudo. Foi um crime premeditado", disse Priscila, a primeira a desconfiar de que a irmã não teria infartado na noite de 22 de outubro.
"Ela era uma pessoa ativa, saudável. Fazia academia e não tinha problema de saúde. Aquela hipótese de infarto era uma mentira", lembra Priscila que atualmente tem a guarda provisória do filho de casal, de apenas 3 anos. A irmã mais nova da Patrícia, Bruna Tainá Rosa dos Santos, disse que a primeira audiência é muito importante para a trajetória da família em busca por justiça.
"Estamos confiantes que a verdade permanecerá e a justiça será feita, pois mediante tantas provas que corroboram e apontam o réu diretamente como autor da morte da minha irmã, a minha família segue praticamente destruída e a única coisa que está nos mantém em pé é essa luta incessante por justiça." O pai da vítima, João Carlos Costa, 72 anos, comentou quando acontece uma fatalidade desta, a família fica desolada. "é uma dor sem explicação. Sofremos muito com essa situação. Eu quero justiça minha filha, que era considerada uma pessoa querida e que só fazia o bem."
O advogado de defesa do médico, Luiz Felipe Mallmann, explica que esta é uma fase de oitivas, onde testemunhas de acusação deverão depor contra o suspeito. Mallmann comentou ainda que o acusado estará presente na audiência. "No entanto, ele não terá possibilidade de se manifestar ou de se defender. A data que acontecerá a oitiva do médico ainda não foi definida." Conforme o advogado, o cliente nega veemente que tenha cometido o crime. "Ele nega todos os fatos imputados a ele. Isso deverá ser esclarecido ao longo do processo."
ENTENDA O CASO
Em 22 de outubro, a Polícia foi acionada para atender uma ocorrência de morte por parada cardíaca, que havia vitimado a enfermeira. A denúncia da irmã, que desconfiou no momento em que foi comunicada do óbito, foi suficiente para que a Polícia Civil iniciasse uma outra linha de investigação, que não fosse o ataque cardíaco. Ao fazer buscas dentro da residência, os policiais encontraram indícios de que ela poderia ter sido assassinada. O corpo foi estranhamente removido, uma mochila com medicamentos foi encontrada e o suspeito começou a se contradizer nas versões apresentadas.
O laudo da perícia revelou que o homem vinha dopando a vítima por meio de medicação colocada no sorvete. Com a vítima dormindo, ele dosava medicação intravenosa para induzir o ataque cardíaco fulminante. No corpo da vítima foi encontrado medicamentos Midazolam e o Zolpidem, substâncias indutoras do sono. Além disso, foram encontradas lesões nas veias das mãos e nos pés, locais onde o médico teria injetado sedativos que, administrados em alta dosagem, levaram a vítima a óbito.
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