Foi invalidado o júri que absolveu Paula Caroline Ferreira Rodrigues, de 31 anos, por envolvimento no homicídio do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, de 22 anos, em 2015, em Canoas. A anulação ocorreu por ordem da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), atendendo ao Ministério Público, que apontou contrariedade entre a decisão dos jurados e os autos do processo. Um novo julgamento, conforme a defesa, foi agendado para 3 de março de 2026.
A ré foi inocentada na 1ª Vara Criminal da Comarca de Canoas, em 2023. Ela respondeu por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O advogado Jean de Menezes Severo, à frente da defesa de Paula, enfatizou que acredita na inocência da cliente. Também disse que respeita a ordem judicial, mas que a decisão dos jurados deveria ter sido mantida.
"A Paula é inocente. Ela sofria um relacionamento abusivo e não tinha nenhum motivo para querer a morte do Gustavo. Respeitamos a decisão do Tribunal de Justiça, mas não concordamos. O jurado é soberano para decidir o destino do réu. Tenho certeza que o Conselho de Sentença de Canoas absolverá, mais uma vez, nossa cliente", avaliou Jean Severo.
O ex-companheiro de Paula, Juliano Biron, foi condenado a 18 anos de reclusão, em 2020. À época, o advogado de defesa, Rodrigo Grecellé, questionou a validade das provas, sustentando que o réu não teve qualquer envolvimento no crime. Biron, que é apontado por forças policiais como líder de facção, foi preso na Bolívia em setembro deste ano.
Relembre o caso
José Gustavo Bertuol Gargioni foi assassinado após ir a um encontro com Paula Caroline Ferreira. De acordo com a Polícia Civil, ao entrar no carro dela, o rapaz teria sido rendido por Biron. Depois, foi levado à Praia da Paquetá, onde foi torturado e morto a tiros.
Segundo o Ministério Público, Paula mantinha relacionamento com o fotógrafo e teria atraído ele para uma emboscada. A motivação seria ciúmes de Biron, com quem ela também se relacionava. A defesa de Paula diz que ela foi coagida a participar do crime, mediante agressões físicas e psicológicas.
Paula e Biron foram presos em novembro de 2015. Ela ganhou liberdade provisória em 2018. Dois anos depois, em 2020, não compareceu ao júri que condenou Biron, alegando problemas de saúde. Após faltar a outras tentativas de julgamento, foi presa em outubro de 2023, sendo absolvida em dezembro do mesmo ano.
Biron recebeu benefício de prisão domiciliar humanitária em janeiro de 2022. Teve paradeiro desconhecido a partir de outubro de 2024, quando foi condenado novamente, por tráfico e lavagem de dinheiro. Foi preso na Bolívia em setembro deste ano.