O grupo liderado por um homem conhecido como Sapo foi alvo da Operação Queda Livre, nesta sexta-feira, em Porto Alegre, Canoas e Gramado Xavier. A ação ocorreu um dia após a transferência dele ao Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Onze pessoas foram presas.
A ofensiva somou mais de 200 policiais civis, militares e penais, cumprindo 32 ordens judiciais, entre mandados de busca e prisões preventivas. O objetivo foi desarticular a quadrilha de Sapo, apontado como mandante de homicídios, incluindo a execução de Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, dentro da Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) 3, no último sábado.
Nesta manhã, a operação decorreu de um assassinato no bairro Cascata. O caso foi registrado em 22 de setembro, quando um homem de 41 anos foi alvo de disparos no Morro da Embratel. Os atiradores, quatro homens, fugiram em um Renault Sandero.
Horas após o fato, um dos suspeitos foi preso no bairro Lomba do Pinheiro, na zona Leste, escondido em um imóvel. Ali, houve a apreensão de quatro pistolas calibre 9 milímetros, todas com numeração suprimida, além do veículo utilizado na fuga.
De acordo com o delegado titular da 1º Delegacia de Homicídios (1ª DHPP), Gabriel Borges, o alvo da execução era irmão de um traficante do bairro Cascata. Disputas por pontos de venda de drogas motivaram o crime, cometido por um grupo criminoso rival ao da vítima.
Os atiradores seriam liderados por Sapo, então recolhido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). De dentro do cárcere, ele teria contatado os comparsas por chamada de vídeo em um celular, antes e depois do assassinato.
"Ele determinou a prática do atentado e forneceu o auxílio logístico para o crime, como uma casa alugada, um veículo e armas. Após a execução, os suspeitos retornaram ao imóvel e fizeram contato com o líder, para comemorar a morte do rival”, afirma o delegado Gabriel Borges.
Ainda segundo o titular da 1ª DHPP, o imóvel havia sido alugado por um homem e uma mulher com dois filhos pequenos. O casal seria laranja do grupo criminoso. A intenção era dissimular que o local era uma residência familiar.
Protocolo contra homicídios
O diretor do Departamento de Homicídios, delegado Mario Souza, destaca que o protocolo de enfrentamento a homicídios da Polícia Civil foi instaurado contra a quadrilha. A estratégia tem como base a teoria da dissuasão focada, que visa influenciar criminosos para que não cometam delitos contra a vida, combinando a aplicação da lei com medidas como a asfixia financeira de facções e transferência de presos.
"A operação de hoje foi uma das medidas do protocolo, uma resposta a homicídios, principalmente após a morte ocorrida no presídio em Canoas. A energia das polícias agora se concentra nos responsáveis pelo crime e, também, em demais integrantes da organização criminosa. Outras medidas estão e serão tomadas, até que todos sejam responsabilizados”, enfatiza Mario Souza.
O criador da metodologia foi o criminologista norte-americano David Kennedy. Professor da Universidade de Nova York, ele foi o responsável por aplicar a teoria nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990.
Como foi a execução de Nego Jackson
Nego Jackson foi morto a tiros na Penitenciária Estadual de Canoas 3 (Pecan 3), no sábado. Ele teria sido emboscado por outros dois detentos enquanto ocorria uma conferência, que é checagem de presos, na ala de triagem.
A conferência ocorre separadamente, uma cela por vez. A porta é aberta, quem está recolhido vai ao corredor da galeria e, após averiguação, volta para dentro do recinto. Na Pecan, os policiais penais coordenam o processo de um piso superior, vigiando detentos por um chão gradeado.
De acordo com a investigação, Jackson estava na cela de número 8. Logo a frente, na cela de número 7, que fica do outro lado do corredor, havia Sapo e um jovem de 21 anos.
Após passar por conferência e antes de voltar para a cela, Sapo teria ido até a porta de Jackson para chamá-lo. Ele supostamente alegava querer apaziguar divergências.
Jackson teria ficado próximo à entrada da cela, onde conversaria através de uma portinhola aberta. Foi então que surgiu um terceiro detento, o colega de cela de Sapo, armado.
O jovem teria inserido a arma através da portinhola. Foram efetuados 12 disparos. Uma pistola calibre 9 milímetros foi apreendida. Não é descartado que a arma tenha sido enviada por um drone.
A suspeita é que Sapo teria chamado o rival na intenção de atraí-lo à porta da cela. Isso porque, quando o atirador chegou, Jackson estava próximo da portinhola aberta, sendo um alvo fácil. O plano seria atrair e distrair a vítima, para que o atirador não errasse os tiros.