Polícia

Associação de delegados diz que operação constrange categoria

Presidente em exercício afirmou que entidade irá oferecer assistência jurídica para Omar Abud

A Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep) afirmou nesta terça-feira que a prisão do titular da 17ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, delegado Omar Abud, detido na operação Financiador, constrange a categoria. De acordo com o presidente em exercício da Asdep, Wilson Müller Rodrigues, a ação de hoje foi motivo de grande preocupação para os delegados do Estado.

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“É uma coisa que nos chama a atenção de uma maneira especial. Quando há casos de corrupção, o delegado é financiado. Nesse caso, há informações de que o delegado estaria financiando. Por isso, precisamos ter cautela. Nós estamos mesmo muito constrangidos em função das informações que já existem. Se verdadeiros os fatos noticiados, parte deles já são suficientes para constranger toda uma categoria”, disse.

Conforme Rodrigues, é necessário ter cautela para analisar a situação de Abud. Ainda assim, a Asdep informou que, se o delegado Omar Abud quiser, a associação poderá disponibilizar um advogado para defendê-lo.

A Asdep informou que, se o delegado Omar Abud quiser, a associação pode disponibilizar um advogado para defendê-lo. Nos próximos dias, ele deve ser ouvido pela entidade, segundo informações de Wilson Rodrigues.

“Não creio que uma prisão preventiva seja decretada graciosamente, ainda que muitas vezes a prisão preventiva se mostre insustentável. Não vai aqui nenhuma acusação ou defesa ao delegado. Mas como entidade de classe, é necessário ter cautela para não sustentar informações que não se confirmem depois. Por norma, o delegado será consultado para saber se irá querer apoio jurídico da associação”. Atualmente, a Asdep conta com 800 delegados de polícia.

Financiador

A operação Financiador investiga crimes de lavagem de dinheiro, quebra de sigilo funcional e organização criminosa. Conforme a Polícia Civil e o Ministério Público, por meio de conta corrente de terceiros e de empresas de fachada, o delegado e o comissário de polícia aposentado teriam financiado grupos criminosos que praticavam roubos de carga, receptação e estelionatos. Em contrapartida, os suspeitos recebiam parte dos lucros da atividade criminosa. Foi apurada a lavagem de R$ 1,1 milhão. A ação conjunta avalia se o delegado tentou barrar o trabalho da Polícia Civil na investigação de crimes de roubo de cargas no Rio Grande do Sul.