Uma pesquisa da Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep) indica que 87% dos associados consideram deixar a Polícia Civil. O estudo aponta que os delegados avaliam sair da Polícia Civil gaúcha para integrar a instituição em outros estados ou seguir a carreira jurídica. A chefia da instituição no RS contesta o levantamento.
Conforme a Asdep, a iniciativa visou quantificar as queixas da categoria sobre falta de valorização e condições de trabalho. Por isso, foi elaborada a seguinte pergunta: “você cogitaria trabalhar na Polícia Civil de outro estado ou em outra carreira jurídica, face à indiferença e a pouca valorização do atual governo do Estado do RS com a categoria?”
Foram 206 delegados associados que participaram da enquete. Destes, conforme a Asdep, apenas 13% projetam permanecer na carreira em território gaúcho.
“Formamos bons policiais que ficam pouco tempo e vão para outras carreiras. É um custo alto para o Estado, que mantém uma escola para formar novos integrantes que acabam indo embora. É um prejuízo para a sociedade”, diz o presidente da Asdep, delegado Guilherme Wondracek.
Segundo Wondracek, mais do que novos concursos, também é preciso estabelecer uma política que invista na manutenção dos servidores com remuneração e condições adequadas de trabalho. Ele também acrescentou que a Polícia Civil gaúcha tem 510 delegados em atividade, quando o número previsto na lei estadual 16.059, que estabelece o quantitativo de cargos da corporação, é de 706 delegados.
O chefe de Polícia, delegado Heraldo Guerreiro, classificou a denúncia como “ato político”. Ainda disse que, desde junho, quando assumiu o posto mais alto da instituição, não houve nenhum indicativo de tal movimento na categoria. “Não tenho notícias de nenhuma exoneração”, resumiu.