Polícia

Caminhoneiro gaúcho que arrastou moto é condenado pela Justiça de Santa Catarina

Morador de Camaquã, o motorista foi sentenciado a 14 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e um ano de detenção, pelo Tribunal do Júri da Comarca de Itajaí

Acidente ocorreu em março do ano passado na BR 101
Acidente ocorreu em março do ano passado na BR 101 Foto : Notícias do Dia / Reprodução / CP Memória

A Justiça de Santa Catarina condenou a 14 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e um ano de detenção, o caminhoneiro gaúcho que percorreu mais de 30 quilômetros arrastando uma moto pela BR 101, entre as cidades de Penha e Balneário Camboriú, no Litoral Norte de SC, na tarde do dia 6 de março do ano passado.

Morador da cidade gaúcha de Camaquã, o motorista gaúcho, de 36 anos, foi sentenciado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Itajaí. A sessão, presidida pelo juiz substituto Luiz Fernando Pereira de Oliveira, ocorreu nessa quinta-feira.

No acidente, o condutor da motocicleta, Anderson Pereira, 49 anos, ficou ferido, e a passageira e companheira dele, Sandra Pereira, 47 anos, acabou morrendo no hospital.

Retornando de São Paulo, o caminhoneiro conduzia uma carreta Mercedes-.Benz Axor, com placas de Camaquã, que colidiu na traseira de uma motocicleta Kawasaki Vulcan, com placas de Camboriú, onde estava o casal, no km 106 da BR 101, em Penha. A moto ficou engatada ao para-choque do caminhão.

“A passageira ficou caída no local do acidente. O caminhoneiro, no entanto, seguiu em frente sem prestar socorro às vítimas. Segundo relato do condutor da moto, ele subiu na cabine da carreta e ficou pendurado na porta, tentando fazer o motorista parar, mas sem sucesso”, informou na época a Polícia Rodoviária Federal.

Colidindo ainda em outros veículos na rodovia, a carreta seguiu até o km 139 da BR 101, já em Balneário Camboriú, onde um outro caminhoneiro conseguiu fazê-la reduzir a velocidade para que fosse puxada a mangueira de ar dos freios e fizesse assim parar o veículo na pista. O efetivo da PRF apreendeu porções de drogas dentro do caminhão. Desde o acidente, o caminhoneiro gaúcho permanece preso.

O casal vinha de um passeio a Campo Alegre, no Planalto Norte de Santa Catarina. Eles costumavam passear pelas cidades com a motocicleta nova, sonho do marido, comprada há cerca de dois meses. Vários vídeos gravados e postados nas redes sociais registraram o fato, que foi investigado pela Polícia Civil de SC.

O Conselho de Sentença reconheceu o homicídio doloso (dolo eventual) da passageira da motocicleta e a tentativa de homicídio qualificada por meio cruel contra o motociclista, além de deixar de prestar imediato socorro à vítima e conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada.

Segundo denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, o caminhoneiro conduzia o veículo com a capacidade psicomotora alterada em razão da influência de substâncias psicoativas. A decisão é passível de recurso e o processo tramita sob sigilo.