A sessão foi presidida pelo juiz Felipe Keunecke de Oliveira. A acusação ficou com a promotora Dirce Soler, e a defesa, com o advogado Domingos Neto. Familiares e amigos da vítima acompanharam o julgamento, que seria de competência do Tribunal do Júri de Terra de Areia, integrado à Comarca de Osório, mas, para garantir a imparcialidade do conselho de Sentença, o Ministério Público buscou a realização da sessão na Capital.
Segundo o MP, a dentista foi espancada, estuprada e morta a golpes de facão. A vítima dirigia um Fox e havia saído de Torres em direção a Gramado, onde trabalhava. O veículo que ela conduzia foi prensado pelo caminhão do acusado. Após descer do carro, ela foi dominada, levada a um matagal, amarrada a uma árvore e agredida.
O homem trabalhava em uma transportadora de Porto Alegre. Natural de Terra de Areia, ele foi preso em maio de 2009, mesmo depois de tentar mudar sua aparência. O caminhoneiro declarou que ele e a vítima tiveram uma discussão de trânsito e que a dentista o teria agredido com uma paulada na cabeça. Argumentou que não se recordava de acontecimentos posteriores, pois estaria sob efeito de rebite e cocaína.
O julgamento chegou a ser interrompido por alguns instantes pelo choro compulsivo do réu. Ao voltar à sala, pediu para não se pronunciar. Durante a tarde de ontem, a sessão foi retomada com manifestações da acusação e da defesa. O assassinato da dentista ficou marcado também pela demora da Brigada Militar em verificar a denúncia de um casal que passou no trecho da rodovia e viu o acusado agredindo a vítima. A informação foi verificada 5 horas depois, sendo encontrado o carro e o corpo da vítima no local indicado pelo
casal. O brigadiano respondeu a Inquérito Policial Militar (IPM) e segue na corporação.
Familiares e amigos pediram justiça
Justiça. Esta foi a palavra mais presente entre os familiares e amigos da dentista Márcia do Nascimento Gomes durante o julgamento do caminhoneiro Fabiano Costa de Lima, réu confesso do crime e condenado ontem pela Vara do Júri da Capital. Vindos de Santo Ângelo, abalados e emocionados, com lágrimas nos olhos, os pais da vítima, o policial civil posentado Mário Brasil Antunes Gomes, 73 anos, e a professora e coordenadora pedagógica Maria Inez do Nascimento Gomes, 61, chegaram por volta das 9h45min para a sessão.
A mãe, que pouco conseguiu falar, destacou que “todo mundo” estava no julgamento para dar forças aos familiares. O pai desabafou ao lembrar a morte da filha. “Nunca vi coisa tão brutal”, declarou o aposentado. Amiga da mãe da vítima, a psicóloga Lana Ferraz falou que a solidariedade vem sendo mantida. “Estamos muito solidários com a família, demonstrando o quanto a Márcia representou com sua riqueza de vida, seus projetos, seu valor.” Outra amiga da dentista, a universitária Luane Morales descreveu
Márcia como uma pessoa “educada, gentil e amorosa”.