O grupo criminoso alvo da Operação Renovatio nesta quarta-feira teria movimentado, desde 2021, mais de R$ 10 milhões oriundos do tráfico de drogas em Porto Alegre. Conforme a Polícia Civil, a quadrilha é liderada por dois irmãos, ambos suspeitos de ordenar homicídios e de manter um esquema sofisticado de ocultação de dinheiro sujo. Eles estão em liberdade condicional.
A facção que a dupla lidera tem como base os bairros Cristal e Lomba do Pinheiro. Neste último, um dos irmãos teria erguido um prédio ao lado da casa onde mora. A construção tem 12 andares e está quase finalizada.
"Ele utiliza tornozeleira eletrônica e mora em uma residência bastante confortável, na Lomba do Pinheiro. Em uma área ao lado, construiu um prédio. A intenção dele, naturalmente, é ocultar lucros de origem ilícita”, explica o delegado Rodrigo Pohlmann, titular da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro.
O delegado, que comanda a ofensiva, adiciona que os criminosos adquiriram ao menos dois imóveis, também na Lomba do Pinheiro, além de veículos. As diligências resultaram na apreensão de um Jeep Compass avaliado em R$ 185 mil, duas caminhonetes Volkswagen Amaro (R$ 310 mil, cada) e um Chevrolet Prisma (R$ 70 mil). A facção também comprou motos aquáticas e uma lancha, que ainda não foram localizadas.
Rodrigo Pohlmann destaca que o objetivo da ação foi desestabilizar os pilares financeiros do esquema criminoso e, por isso, não foram solicitados à Justiça mandados de prisão.
"Nosso foco é dilapidar o patrimônio adquirido com dinheiro do tráfico de drogas. Quando combatemos a lavagem de dinheiro, atacamos a capacidade econômica das facções. Isso impede a compra de armas e o financiamento de homicídios”, afirma o delegado Rodrigo Pohlmann.
Ainda segundo o delegado, os investigados compraram mais de 20 celulares em um shopping na Capital. Todos os telefones foram enviados para dentro de cadeias no Complexo Prisional de Charqueadas, na Região Carbonífera.