Polícia

Caso Kerollyn: MPRS volta a pedir prisão da mãe de menina encontrada morta em lixeira

Órgão já havia solicitado a medida em setembro, mas Poder Judiciário substituiu prisão por monitoramento eletrônico

Corpo de menina foi encontrado em lixeira no entorno de escola em Guaíba
Corpo de menina foi encontrado em lixeira no entorno de escola em Guaíba Foto : Pedro Piegas / CP Memória

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ingressou com um recurso no Tribunal de Justiça pedindo a prisão preventiva da mãe da menina Kerollyn Souza Ferreira, de nove anos de idade, encontrada morta dentro de um contêiner de lixo em Guaíba, em agosto. Ao denunciar a mulher, no dia 24 de setembro, o promotor Rafael de Lima Riccardi já havia solicitado a prisão, no entanto, ao aceitar a denúncia, o Poder Judiciário substituiu a reclusão por monitoramento eletrônico.

Em relação ao recurso, até o momento desta publicação, o MPRS ainda aguardava pela decisão judicial. O promotor Rafael Riccardi denunciou a mãe da vítima por homicídio doloso qualificado, em contexto de omissão penalmente relevante.

De acordo com o promotor, ela descumpriu o dever legal de proteção, bem como criou o risco de morte da filha ao ministrar sedativos para a criança. A mãe ainda foi denunciada por maus-tratos em relação à Kerollyn e a outros três filhos. Caso confirmada a pronúncia, a mulher será julgada pelo Tribunal do Júri.

O pai da vítima também foi denunciado, mas por abandono material pelo fato de deixar de prover auxílio à subsistência da filha. A acusação levou em conta os encaminhamentos da rede de proteção e o insistente desejo da criança na retomada de contato com o homem. Ele também pode ser julgado pelo Tribunal do Júri como crime conexo.

Relembre o caso

Em 9 de agosto, o corpo da menina foi localizado por recicladores no interior de um contêiner de lixo, no bairro Cohab Santa Rita, em Guaíba, próximo a uma escola de ensino infantil. A mãe da criança teria confessado em depoimento na delegacia que a medicou com sedativos na noite anterior ao fato.

A mulher teria dopado a filha em casa, por volta das 22h de quinta-feira. Ainda conforme relato dela, ao acordar na manhã seguinte, a criança não estava mais no imóvel. Ela disse ter ficado surpresa quando policiais militares foram até a porta da residência para informar que o corpo da filha havia sido localizado no lixo.

Quando questionada o porquê de drogar a filha, a mãe teria citado um suposto comportamento agressivo da menina como justificativa. A mulher alegou que a criança surtava, ficava violenta e parecia “endiabrada”, além de agredir os outros irmãos, de três, cinco e 13 anos. Na versão dela, era preciso dopar a menina, mesmo sem acompanhamento médico, para acalmá-la.

A mãe da criança chegou a ser presa temporariamente, sendo solta em liberdade condicional após quase um mês. Ela foi indiciada pela Polícia Civil por maus-tratos com resultado morte e violência psicológica. Já o pai da vítima, foi indiciado por abandono material e violência psicológica. Ele também responde em liberdade.