Polícia

Caso Márcio dos Anjos: júri condena tios por morte de menino de 1 ano em Alegrete

Réus receberam penas de 32 e 29 anos de prisão por homicídio qualificado por omissão

Júri realizado no Foro da Comarca de Alegrete teve dois dias de duração
Júri realizado no Foro da Comarca de Alegrete teve dois dias de duração Foto : Luiza Meirelles / TJRS / CP

O Tribunal do Júri condenou, nesta sexta-feira, os tios do menino Márcio dos Anjos Jaques, de 1 ano e 11 meses, pela morte da criança, ocorrida em 2020, em Alegrete. O julgamento durou dois dias e somou cerca de 18 horas de sessão. Riane Quinteiro da Costa foi condenado a 32 anos de reclusão, enquanto Roberta Eggres Prado recebeu pena de 29 anos e 4 meses, ambos em regime inicial fechado. Cabe recurso da decisão.

O júri foi realizado no Foro da Comarca e presidido pelo juiz Rafael Echevarria Borba, que determinou a expedição dos mandados de prisão e o recolhimento imediato dos réus ao sistema prisional.

Os jurados reconheceram que o crime foi cometido com emprego de meio cruel e contra menor de 14 anos. Na sentença, o magistrado destacou a conduta dos acusados. “A personalidade desviante dos réus restou demonstrada por suas friezas emocionais e por sua insensibilidade acentuada, facilmente perceptível durante os três dias em que ficaram responsáveis pelo infante espancado”, afirmou.

De acordo com a acusação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os réus tinham o dever de cuidado e proteção da criança, mas deixaram de agir mesmo diante das agressões praticadas pelo pai. Durante o julgamento, os promotores Rodrigo Piton e Rochelle Jelinek sustentaram que os tios não buscaram atendimento médico, apesar de a vítima apresentar sinais graves, como convulsões, contribuindo diretamente para o resultado morte.

Conforme a denúncia, o menino foi agredido pelo pai em 13 de agosto de 2020, sofrendo traumatismo craniano, edema e hemorragia cerebral. Após as agressões, ele foi deixado aos cuidados dos tios, que não procuraram socorro imediato. A criança foi levada ao hospital apenas dias depois, em estado crítico, e morreu em decorrência das lesões.

Durante o julgamento, foram ouvidas testemunhas, incluindo médicos que atenderam a criança, o legista responsável pela necropsia e uma conselheira tutelar. O réu optou por permanecer em silêncio, enquanto a ré declarou inocência. Na sentença, o juiz também apontou as consequências do crime como graves, destacando o sofrimento da vítima e o impacto causado, inclusive na equipe médica que a atendeu.

Este é o segundo julgamento relacionado ao caso. Em outubro de 2024, o pai do menino, Luís Fabiano Jaques, foi condenado a 44 anos, 10 meses e 20 dias de prisão, também em regime fechado, por homicídio qualificado e tortura. O júri dos tios chegou a ser iniciado em 2025, mas foi dissolvido na fase de debates por ausência de plenitude de defesa.

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