Polícia

Chefe de polícia não descarta participação de outros agentes em lavagem de dinheiro

Emerson Wendt afirmou que delegado preso teria dado proteção à organização criminosa

Operação do MP e da Polícia Civil prendeu delegado suspeito de envolvimento em esquema criminoso
Operação do MP e da Polícia Civil prendeu delegado suspeito de envolvimento em esquema criminoso Foto : Ministério Público / Divulgação / CP
A operação Financiador, que prendeu na manhã desta terça-feira o delegado de polícia Omar Abud e o comissário aposentado Luiz Armindo de Mello Gonçalves, investiga a possível participação de outros agentes públicos no suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A informação é do chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, delegado Emerson Wendt. 

"Nós temos que trabalhar independentemente dos investigados. Cruzamos as nossas informações com as do Ministério Público, pegamos depoimentos e chegamos até as pessoas que foram presas hoje. Nós não estávamos investigando as pessoas, mas sim os fatos, que nos levaram até eles. Até não se descarta que cheguemos a outros agentes públicos e pessoas da sociedade", afirmou Wendt em entrevista à Rádio Guaíba. 

Questionado sobre a possível proteção que o delegado Omar Abud, um dos suspeitos presos na operação de hoje, daria à quadrilha de roubo de cargas, Wendt afirmou que não pode dar detalhes da investigação por conta do sigilo. "Isso chegou a ser cogitado e está em processo de apuração, até porque ele tem acesso aos sistemas da Polícia Civil e saber quem era investigado em determinada operação", esclareceu. 

Wendt relatou um certo constrangimento pela operação que terminou com a prisão de um colega. "Como qualquer homem público que é pautado pela probidade, eu me sinto constrangido em razão disso, mas é um trabalho que a polícia precisa fazer, até para estabelecer uma credibilidade maior na instituição. Não é ela que está em dúvida, mas determinados agentes que precisam ser separados do contexto geral da grande maioria, que trabalha para a sociedade gaúcha", acrescentou. 

Emerson Wendt informou que a 17ª Deleagcia de Polícia, onde o delegado Omar Abud atuava, deverá ser comandada pela delegada adjunta Cristiane Ramos, que não tem nenhuma vinculação com a questão. “As investigações na delegacia continuam normalmente e a Corregedoria da Polícia Civil fará uma inspeção na 17ª DP”, explicou. Também é possível que um delegado mais antigo possa assumir o comando de delegacia de polícia localizada na rua Voluntários da Pátria.

Apreensão de dinheiro 

Wendt afirmou que, durante a operação de hoje, R$ 11 mil foram apreendidos na casa de um dos investigados. O chefe da Polícia Civil declarou que existia um repasse de valores dos suspeitos para quadrilha, que retornava com montantes ainda maiores. 

Por se tratar de um delegado de investigação, Omar Abud tinha diversos inquéritos sob seu comando, que agora passarão para as mãos de um segundo delegado. "Quando há uma ação assim, a Corregedoria age e faz uma correição na delegacia e repassa aos responsáveis os inquéritos, que terão continuidade. É um trabalho natural", resumiu. 

Subprocurador fala em provas robustas 

O subprocurador-geral para assuntos institucionais do Ministério Público (MP), Fabiano Dallazen, disse que o MP e a Polícia Civil reuniram provas robustas dos supostos crimes do delegado Omar Abud e do comissário de polícia aposentado Luiz Armindo de Mello Gonçalves. 

"As provas são bastante claras sobre lavagem de dinheiro e organização criminosa para financiar roubos de cargas. Não posso falar sobre cada uma delas porque há o sigilo, mas temos a convicção de que os documentos coletados são suficientes para que tudo seja esclarecido e para que a punição seja exemplar", assegurou Dallazen. 

Dallazen comentou que a investigação teria identificado a lavagem de R$ 1,1 milhão, mas destacou que o valor pode ser maior porque a operação seguirá apurando os crimes. "Nós tivemos um foco e, talvez, o que tenha vindo à tona seja apenas um recorte do que ocorreu. Pode ser que em breve venham valores maiores e que os crimes sejam mais antigos", explicou. 

Além do delegado e do comissário aposentado, outras três pessoas foram alvos de medidas cautelares e tiveram imposta uma fiança de R$ 10 mil para responderem em liberdade. Conforme Dallazen, esses suspeitos não podem mudar de endereço ou deixar a cidade.