Polícia

Colegas defendem guarda municipal acusado de matar vizinho e balear cão em Porto Alegre: “legítima defesa”

Integrante da segurança pública, que responde em liberdade, é julgado nesta quinta-feira por fato ocorrido em 2016

Guardas municipais apoiam colega em julgamento no Foro Central
Guardas municipais apoiam colega em julgamento no Foro Central Foto : Marcel Horowitz / CP

Um guarda municipal de Porto Alegre é julgado, nesta quinta-feira, em tribunal de júri no Foro Central. Ele é acusado de matar um vizinho e balear o cachorro dele, em 2016. O efetivo da instituição está em peso no local e afirma que o colega agiu para defender a família.

Não foi autorizado o uso de fardamento da Guarda Municipal na sessão. Também foi vetado o registro de imagens, à exceção das produzidas por uma equipe do Tribunal de Justiça.

O réu, Roger da Motta Carvalho, responde em liberdade. Ele é acusado de matar a tiros Bruno Saraiva Salgado, 30 anos, que passeava com seu cão da raça labrador, também atingido.

A denúncia foi, inicialmente, de maus-tratos contra animais e de homicídio qualificado por motivo fútil. No entanto, a qualificadora foi retirada na decisão de pronúncia, e isso foi mantido pelo Tribunal de Justiça, ou seja, ele responde por homicídio simples.

Nesta manhã, integrantes da Guarda Municipal prestaram depoimento em apoio ao colega. Os relatos dão conta de que Roger era um profissional ético e que teria reagido após ter a família ameaçada.

"O Roger estava calmo na data dos fatos, aquele foi um dia produtivo de trabalho. É um homem ético e excelente profissional. Ele foi atacado e tentou conter o agressor com uso progressivo da força, mas, infelizmente a gravidade da situação aumentou”, depôs Adriano Almeida, que era comandante da Ronda Ostensiva Municipal (Romu) na época dos fatos.

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Para o Ministério Público, a esposa do guarda municipal tinha conflitos com o vizinho. A acusação narra que, na data do ocorrido, Bruno passeava com o cachorro em frente à casa do casal e a mulher o teria questionado sobre o motivo dele olhar para o filho dela.

Bruno teria negado a alegação. No entanto, diz o MPRS, Roger entrou na discussão e os dois acabaram se envolvendo em um confronto físico. Ele efetuou dois disparos no tórax do vizinho, que morreu no local. Depois, baleou o cachorro outras duas vezes.

Bruno deixou uma filha, hoje com 15 anos. O cão vive com a família dele, em São Borja.

O promotor André de Azevedo Coelho, à frente da acusação, conta que o réu foi preso logo após o fato, mas obteve posteriormente o direito de responder ao processo em liberdade. Dois colegas dele chegaram a ser investigados por fraude processual, por suspeita de alterar a cena do crime, mas o processo prescreveu.

"Esperamos que a sociedade de Porto Alegre faça justiça e dê uma resposta adequada a esse fato gravíssimo e que, de alguma forma, traga algum amparo para família que ficou alijada de seu ente querido”, finalizou o promotor.

Jurí dissolvido

Devido à uma violação da incomunicabilidade do Conselho de Sentença o julgamento foi dissolvido. Durante um dos intervalos do júri, quando os jurados estavam reunidos na sala secreta, um deles teria se manifestado, apresentando inclinação de voto na presença dos demais.

A Juíza de Direito Lourdes Helena Pacheco da Silva, da 2ª Vara do Júri da Comarca da capital. designou o dia 12 de agosto, às 9h30min, para realização de uma nova sessão de julgamento.