Com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) inaugurou nesta sexta-feira (12), no pátio em frente ao Hospital Conceição, em Porto Alegre, o Banco Vermelho. A intervenção urbana, pioneira em hospitais do país, consiste em um banco gigante semelhante aos de praça, na cor vermelha, que simboliza o sangue derramado pelas vítimas de feminicídio e também o alerta de “pare”.
O objetivo é sensibilizar a sociedade para a violência contra a mulher, estimular espaços de diálogo e apoio e fortalecer a rede de proteção. A ação integra o programa do Instituto Banco Vermelho (IBV), criado em 2023 em Recife e transformado em política pública nacional, com uma lei sancionada pelo presidente Lula no fim de julho. Cada unidade do GHC deverá receber um banco ao longo do ano.
Na cerimônia, a ministra destacou o papel simbólico da iniciativa. “Este banco não vai resolver o problema por si só, mas ele é expressão de um compromisso ético, deste hospital e de toda a sociedade, rumo à vitória para que as mulheres possam viver intensamente e felizmente suas vidas”, afirmou.
- Caso Kiss: MPRS recorre de decisões que dispensaram avaliações nas progressões de regime dos condenados
- Perfil falso de jovem bem-sucedido: como preso após deixar corpo dentro de mala atraía mulheres em Porto Alegre
- Ministro da Saúde assina contrato para construção de novo complexo hospitalar em Porto Alegre
A diretora executiva do IBV, Paula Sampaio Regis de Carvalho, lembrou que muitas mulheres buscam socorro no GHC. “Para nós, é uma grande honra trazer o Banco Vermelho. Que o GHC sirva de exemplo, com a mensagem de que a relação abusiva de hoje pode ser o feminicídio de amanhã”, destacou.
Já a diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, reforçou a relação direta da violência com a saúde. “Muitas mulheres chegam pedindo apenas uma medicação para parar de chorar, quando na verdade estão vivendo uma rotina de agressões. É fundamental discutir diariamente a violência de gênero e lembrar que ela nasce da forma como nossa sociedade é estruturada. O Banco Vermelho é um símbolo dessa luta” declarou.
A solenidade também contou com a participação de autoridades políticas, representantes do Ministério Público, poder Judiciário, Defensoria Pública do Estado e diversas outras entidades e empresas.
“Fiquei chocada”, diz ministra sobre crime brutal em Porto Alegre
Após a cerimônia de inauguração do Banco Vermelho, a ministra Márcio Lopes atendeu à imprensa e, questionada sobre o assassinato da mulher esquartejada em Porto Alegre, cujo autor já havia cumprido pena por matar e concretar o corpo da própria mãe, Márcia Lopes avaliou que o Brasil já possui legislação robusta, como a Lei Maria da Penha, mas que falha na integração entre instituições e na aplicação prática das leis.
“O que falta muitas vezes é esse trabalho integrado, com fluxo definido e plano operacional, para que a mulher saiba aonde recorrer e tenha de fato proteção. Os homens também precisam ter clareza de que sua atitude criminosa vai gerar punição. Temos que analisar se é o caso de endurecer a legislação ou simplesmente aplicar de forma mais eficaz o que já existe”, afirmou.
A ministra ainda lamentou ocorrido e descreveu o que sentiu ao ficar sabendo do crime. “Eu fiquei muito chocada com essa história do esquartejamento de uma mulher. É uma violência, uma atitude, que é inacreditável que alguém chegue nessa atitude. Por isso que também temos que estudar isso (necessidade, ou não, de modificar a legislação)”, concluiu.