Começou, na manhã desta quinta-feira, na 2ª Vara do Júri da Comarca de Porto Alegre, no Foro Central, no bairro Praia de Belas, o julgamento de quatro taxistas denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pela tentativa de homicídio do motorista de aplicativos Bráulio Pelegrini Escobar, ocorrida em 26 de novembro de 2015 no estacionamento de um hipermercado na zona Leste da Capital. O julgamento é presidido pela juíza Eveline Radaelli Buffon, do 1º Juizado da 2ª Vara do Júri. O fato, de enorme comoção na época, ocorreu pouco depois da chegada do serviço de mobilidade em Porto Alegre.
Cauê Cavalheiro Varella, Alexandro dos Santos Scheffer, Maurício dos Santos Nunes e Valderi Machado Silveira são réus no processo e respondem pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, com qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, enquanto Cauê e Alexandro respondem também por dano qualificado ao veículo de Bráulio. A vítima foi ouvida por 1h10min. O agredido disse em seu depoimento que ficou preso ao cinto de segurança, e foi cercado por uma multidão por cerca de 45 minutos.
Bráulio contou também ter sofrido golpes de vários agressores que também danificaram seu veículo, e que não reagiu, afirmando ainda que “não sabe brigar”, e que somente parou de ser agredido quando três mulheres chegaram, colocando-se entre eles e os acusados. “Foi surreal”, resumiu ele, citando que clientes do mercado filmavam a cena, seguranças acompanhavam e taxistas circulavam pelo local. Hoje, ele alega passar por tratamento psiquiátrico.
Quatro testemunhas de defesa foram ouvidas nesta manhã, entre eles outros taxistas. À tarde, os réus foram interrogados. A etapa de debates iniciou às 14h30min. A primeira parte a falar foi a acusação, que tem até duas horas e meia de fala. A acusação em plenário será feita pelo promotor de Justiça Luiz Eduardo de Oliveira Azevedo, que deverá ressaltar que o motivo torpe é justificado pelo fato de os acusados não aceitarem que a vítima estivesse atuando como motorista de aplicativo, o considerando uma ameaça à atividade tradicional de táxi.
Após, a defesa terá o mesmo tempo para se pronunciar. O tempo, entretanto, será dividido pela defesa de cada um dos quatro réus. Depois disso, haverá espaço para réplica e tréplica de até duas horas cada. Ao todo, estão disponíveis nove horas de debate, com previsão do julgamento seguir até as 2h da madrugada de sexta-feira, dia 15.