Polícia

Começa júri de réus por morte do ex-vereador Tenente Vermelho

São julgados dois acusados de matar José Wilson da Silva, em 2021, na zona Leste de Porto Alegre

Policial que investigou morte do ex-vereador é ouvido durante júri
Policial que investigou morte do ex-vereador é ouvido durante júri Foto : Marcel Horowitz / Especial CP

Começou, nesta quinta-feira, o júri dos acusados de participação na morte do ex-vereador José Wilson da Silva, o Tenente Vermelho, assassinado a tiros em dezembro de 2021, às vésperas de completar 90 anos, em Porto Alegre. A sessão ocorre no Foro Central, com previsão de se estender até o turno da noite. Até o início da tarde, já tinham sido ouvidos um policial civil que atuou no caso e a filha da vítima.

Os acusados são dois homens, de 31 e 32 anos, que estão presos preventivamente. Segundo o Ministério Público, ambos teriam sido contratados por uma mulher de 52 anos para praticar o crime. Também conforme a acusação, outra mulher, de 49 anos, teria intermediado o contato entre ela e os atiradores.

As defesas negam participação das rés no ocorrido. As duas seriam julgadas nesta quinta-feira, mas a defesa da mulher acusada de intermediar o crime solicitou que o processo fosse cindido – divisão de um processo judicial em dois ou mais processos distintos -, o que ocorreu.

"A quebra do sigilo telefônico das rés atesta que elas não conversaram antes, e nem depois do crime. Ocorre que essa prova não foi incluída nos autos e, por isso, pedimos que o processo fosse cindido”, explicou o advogado Eledi Amorim Porto, que representa a acusada de ser a “contratante” do crime.

O advogado Jader Santos, que defende a acusada de ser a mandante do crime, apoiou a cisão do julgamento. “Estamos falando de um inquérito gigantesco. Mais de 14 pessoas foram ouvidas e nenhuma delas apresentou qualquer elemento que comprove ligação entre as duas acusadas”, destacou.

A defesa do réu de 32 anos afirmou que somente iria se pronunciar durante o júri. “Ele nega os fatos imputados na denúncia”, garantiu o advogado Jean Severo. Já o advogado Daniel Quintino, que representa o outro acusado, classificou a situação como crime patrimonial. “Acreditamos que nosso cliente foi participar de um crime patrimonial e, por circunstâncias do momento, houve um disparo”, disse.

Relembre o caso

O crime ocorreu na noite de 10 de dezembro de 2021, em um imóvel na rua Paissandu, no bairro Partenon, onde a vítima morava. Após um ano de investigação, em 2022, a Polícia Civil apontou que o crime teve motivações financeiras.

Na época, em coletiva de imprensa, a delegada Isadora Galian, disse que a ex-companheira da vítima teria contratado uma quadrilha especializada em roubo a residências para subtrair um cofre da casa do ex-vereador, onde estaria quantia estimada entre R$50 mil e R$100 mil.

Ainda segundo a delegada, a ex-companheira também teria interesse em adquirir o direito a uma indenização após a morte do homem. “Ela contou com a intermediação da companheira de um dos integrantes do grupo criminoso que foi responsável pela invasão à residência. Durante a ação, a vítima reagiu, o que motivou o disparo. Os criminosos acabaram levando apenas dois celulares”, afirmou Isadora Galian.

Veja Também