Polícia

Corregedoria revela que ex-comissário da Segurança Pública dificultou investigações contra traficante

Policial será indiciado pelos crimes de organização armada e falsidade ideológica

A Corregedoria da Polícia Civil apurou que o ex-comissário Nilson Aneli, encarregado de fazer a segurança do ex-secretário de Segurança Pública, Airton Michels, durante a gestão do governador Tarso Genro, se utilizou do cargo de agente público para dificultar as investigações contra um traficante para qual também trabalhou. A Cogepol ainda indiciou Aneli pelos crimes de organização armada e falsidade ideológica.

O documento, com mais de mil páginas, foi remetido nesta quarta-feira à Justiça de Tramandaí, no Litoral Norte, onde as investigações começaram. Após conclusão do inquérito, o Conselho da corporação também vai analisar a conduta do ex-comissário, podendo afastá-lo em definitivo da Polícia Civil.

No âmbito da Polícia Civil, o delegado Paulo Peres concluiu também a investigação e confirmou que Aneli vai ser indiciado pelos crimes de corrupção de menores, porte ilegal de arma e organização criminosa. O inquérito segue para o Fórum de Tramandaí. Pelo menos mais quatro pessoas devem ser indicadas pelos mesmos crimes.

O envolvimento do ex-comissário com o traficante veio à tona em de janeiro, quando Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, foi morto por um grupo rival, em uma casa em Tramandaí. Após a prisão preventiva do policial, a defesa de Aneli alegou que ele precisou “saldar um financiamento universitário que o obrigou a procurar, por meio de ganho suplementar, honrar o compromisso”.

O argumento, porém, foi considerado insuficiente pela Justiça para garantir a soltura. O comissário também admitiu ao ex-secretário Airton Michels que fazia a segurança de Xandi, alegando não saber que ele era traficante.