Polícia

Deferida exumação do corpo de garota que teria sido submetida a laqueadura não autorizada em Sapiranga

Adolescente de 16 anos faleceu duas semanas depois de ter feito uma cesárea no Hospital Sapiranga; família soube do procedimento de esterilização após o enterro da jovem

A Justiça deferiu o pedido de exumação do corpo de Kauany Ventura de Vargas, 16 anos, que morreu em 17 de maio, duas semanas depois de uma cesárea, no Hospital Sapiranga, onde deu à luz a uma menina. Entretanto, após o enterro da jovem, em meio a documentação recebida pela família, junto com o atestado de óbito, que indicava entre as causas da morte, choque séptico e infecção uterina, além do procedimento para a retirada do bebê, os familiares descobriram que ela também foi submetida a um procedimento de laqueadura. Este, não autorizado. A criança nasceu com saúde e passa bem para o conforto da família.

A advogada da família, Diânifer Soares, levanta a possibilidade de que a esterilização pode ter agravado ainda mais o quadro da jovem, que só piorou desde o momento em que ela deixou o hospital. "A lei diz que a laqueadura só pode ser feita em mulheres com mais de 21 anos." Conforme a advogada, além deste requisito, a legislação aponta ainda que deve se respeitar o período de 60 dias após o parto. Diânifer diz que um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil, assim como uma denúncia foi feita no Ministério Público e também no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).

"Estamos entrando com uma ação de indenização, contra o médico e também acionamos o Hospital. Não vamos desistir. Queremos esclarecer os fatos, obter uma explicação plausível e buscar a justiça, inclusive para que outras famílias não passem pelo mesmo sofrimento." A advogada conta que a gestação da adolescente foi muito tranquila e que em 1º de maio a garota começou a sentir as primeiras contrações.

"O bebê nasceu no dia 2, às 16h25, depois de muito a família insistir. Na sala de recuperação, Kauany reclamava de muitas dores na barriga. Dores tão fortes que ela não conseguia levantar sozinha da cama. No domingo, dia 4, ela ganhou alta, mas retornou para o hospital na terça-feira, dia 6, com febre alta e dores insuportáveis. Os pontos estavam abrindo e havia muita secreção."

Diânifer diz que mais uma vez os médicos medicaram a jovem e a mandaram para casa. Ela retornou à instituição de saúde naquela mesma semana, acompanhada da família, e foi então que internaram a garota com uma infecção avançada. Ela foi para emergência e depois encaminhada para uma cirurgia às pressas, onde foi feita a retirada do útero.

"Ficou na UTI, foi entubada, teve febre alta, delirava e a partir daí teve necrose dos órgãos. Não havia mais como reverter o caso. Ela foi morrendo aos poucos e a família ao lado, morrendo junto. No sábado, dia 17, ela veio a óbito". A advogada explica que, na terça-feira, dia 20, quando o hospital forneceu o prontuário médico com toda a documentação de Kauany havia a descrição de uma laqueadura. "Havia uma lesão no útero. Eles demoraram para agir. Foi uma omissão de socorro e um aso de negligência."

NOTA OFICIAL DO HOSPITAL SAPIRANGA

O caso segue em análise interna rigorosa, conduzida pelas áreas médica, segurança do paciente e direção da instituição, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do atendimento prestado à paciente. Diante de manifestações recentes da família sobre uma suposta realização de procedimento de esterilização (ligadura tubária) sem consentimento, o Hospital Sapiranga afirma que no documento, entregue a família houve uma digitação equivocada no título do mesmo, porém assegura que não foi feito qualquer procedimento desse tipo conforme consta no campo do descritivo cirúrgico. O Hospital Sapiranga reitera seu profundo sentimento à família, e segue comprometido em esclarecer o caso.

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