Polícia

Delegada alerta sobre feminicídios no RS: "estamos falhando na prevenção e proteção das mulheres"

Associação dos Delegados aponta que RS registrou 54 feminicídios entre janeiro e setembro

O Rio Grande do Sul registrou 54 feminicídios de janeiro a setembro deste ano. Um destes, foi o caso de Brasilia Costa, de 65 anos, que teve parte do corpo deixado em uma mala na rodoviária de Porto Alegre. De acordo com a Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep), esse tipo de crime teve crescimento de 35% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 40 mortes.

Ainda segundo a Asdep, 85% dos femincídios cometidos neste ano tiveram como autores companheiros ou ex-companheiros das vítimas e 58% deles tinham antecedentes criminais; 77% dos casos ocorreram na residência das mulheres, em 25% dos casos (26) havia registro na polícia de violência doméstica e 8% das mulheres assassinadas tinham medida protetiva. Metade dos crimes foi cometido com armas brancas (49%). Os crimes tentados também aumentaram em 2025: de janeiro até 10 de setembro deste ano foram 177 contra 141 no mesmo período do ano passado.

“Os dados sobre feminicídio no RS são alarmantes. Esses números evidenciam que estamos falhando na prevenção e na proteção das mulheres. Sou delegada titular de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) há mais de 10 anos e, como vice-presidente da Asdep, vejo diariamente a realidade da segurança pública: falta efetivo, falta estrutura e, muitas vezes, o atendimento é feito de forma generalizada, sem o acolhimento necessário, porque não há policiais suficientes para equipes completas em todas as delegacias, muito menos para manter plantões especializados”, disse Marina Dillenburg, que atualmente é titular da Deam de Viamão.

A vice-presidente da Asdep também aponta que a Lei Federal 14.541/2023 determina que Deams funcionem 24 horas, inclusive em finais de semana e feriados. Porém, segundo ela, há apenas uma Deam, no Palácio da Polícia, em Porto Alegre, que atende em regime de plantão.

Ainda conforme a delegada, na prática, não há equipes para cumprir o que a lei prevê. “Não basta lamentar estatísticas. É urgente investimento sério, contratação de mais policiais, ampliação de delegacias especializadas e integração real da rede de proteção. Sem isso, continuaremos chorando mortes anunciadas", conclui Marina Dillenburg.

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