Polícia

Delegados vão debater caso que gerou crise institucional com MP

Ana Caruso negou prisões de oito traficantes pela Brigada Militar no mês de agosto

O episódio envolvendo a delegada Ana Caruso, que negou prisões em flagrante de oito traficantes em operação conjunta do Ministério Público (MP) e Brigada Militar (BM), no mês passado, ainda provoca conflitos. Na próxima segunda-feira, em plenária na sede da Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep-RS), os delegados pretendem adotar um posicionamento sobre o caso envolvendo a colega, que foi transferida das atividades de plantão na 3ª DPPA, após a polêmica que gerou uma crise institucional entre MP e Polícia Civil.

O secretário da Asdep, Luiz Heitor França, confirmou a reunião e declarou que os delegados não podem ser impedidos ou sofrer interferências na interpretação do pensamento jurídico de cada ocorrência. Ainda ponderou que há uma deficiência no policiamento ostensivo e em decorrência um aumento da violência, devido à falta de efetivo nas ruas, e que a Brigada Militar não deveria mobilizar policiais para investigações. Na ação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão para combater o tráfico de drogas no bairro Partenon.

 Ana Caruso teria sido submetida a um termo circunstanciado proposto pelo Ministério Público, mas negou a assinatura. À época em que rejeitou os flagrantes, no dia 28 de agosto, a policial se fundamentou no entendimento do Tribunal de Justiça de que a Brigada Militar não tem poder de investigação, inclusive por meio de técnicas adotadas na operação, como escutas telefônicas. Outra argumentação foi de que a quantidade de drogas apreendida era pequena e uma das suspeitas era uma idosa de 85 anos.

O sub-procurador institucional do Ministério Público, Marcelo Dornelles, preferiu não comentar a mobilização dos delegados, já que se trata de um ato da associação e corporativo.


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