Passados 15 dias da madrugada que ocorreu a morte do produtor rural Marcos Daniel Nörnberg, durante uma ação da Brigada Militar, a Polícia Civil segue ouvindo os policiais envolvidos no caso. Segundo informações da titular da Delegacia Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) em Pelotas, Walquiria Meder a projeção é que nesta quinta-feira se conclua o depoimento de nove policiais. " Sobre o conteúdo dos depoimentos, vamos nos manifestar somente na conclusão. Nesta sexta-feira ouviremos outros 10 e na próxima semana mais um", projeta.
Ela confirma que além dos depoimentos aguarda o resultado de algumas perícias, especialmente dos áudios. "É bem complexa a situação. Vamos também precisar fazer quesitos complementares aos peritos do local do crime, sobre a dinâmica de alguns fatos, inclusive sobre os tiros fatais", observa.
O prazo inicial para a conclusão da investigação é de 30 dias, mas a delegada não descarta pedir que ele seja prorrogado. "Alguns resultados, como especialmente a perícia dos áudios (que estão nos vídeos da câmera de monitoramento do local) e as respostas sobre a dinâmica do fato são fundamentais para que se possa chegar a uma conclusão clara", destaca.
Durante a madrugada do último dia 15, de posse de informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, policiais militares entraram na casa da família, onde haveriam pessoas envolvidas em um roubo e cárcere ocorrido dois dias antes, além de armas e veículos roubados. Conforme os vídeos de monitoramento divulgados nesta semana, a vítima estava dormindo com a esposa, Raquel Motta Nörnberg, quando escutou barulhos e pegou uma arma devidamente registrada, para se defender, pois acreditava sofrer um assalto. Os policias revidaram e ele foi atingido, falecendo no local. Em depoimento, os policiais alegam legítima defesa de terceiros e estrito cumprimento do dever legal. Parte dos policiais, entre sargentos e soldados envolvidos na ocorrência fazem parte do 5º BPChoque e outros do 4° BPM. Todos seguem afastados de suas funções. "Além deles, devemos ouvir os três policiais que trabalham no setor de inteligência da Brigada Militar, que indicou o local onde deveria ocorrer a abordagem, e o Comandante", enumera.
A perícia indicou que durante a ocorrência foram efetuados disparos de curta distância. A delegada esclarece que isto não é incomum em confrontos com policiais. "Também não quer dizer que o tiro foi encostado (a queima-roupa). A informação que teria ocorrido uma execução é muito precipitada no momento", pondera.
A possibilidade de execução foi levantada após ser possível escutar no vídeo das câmeras de vídeo monitoramento a voz, que seria de um policial, dizendo que a vítima teria mexido a cabeça, seguida do barulho de um tiro. "A interpretação da polícia e da perícia tem que ser técnica, com base no conjunto das provas, e não podemos ter essa conclusão analisando uma fala isoladamente", opina. Além da investigação da Polícia Civil, a própria Brigada Militar abriu investigação sobre os fatos que ocorreram na madrugada de 15 de janeiro.