Polícia

Feirantes pedem justiça por produtor morto em ação da Brigada Militar

A manifestação silenciosa ocorre nesta terça-feira, durante a Feira do Entardecer de Pelotas

Familiares  trabalharam na feira e  participaram da manifestação
Familiares trabalharam na feira e participaram da manifestação Foto : Angélica Silveira / Especial CP

O clima na chamada Feira ao Entardecer de Pelotas era de tristeza e indignação nesta terça-feira. Os participantes foram trabalhar e para a realização do protesto silencioso vestiram camisetas pretas com a foto de Marcos Nörnberg, pequenos laços, balões na mesma cor e adesivos em sinal de luto. Quem caminhava pela feira, que acontece na avenida Bento Gonçalves percebeu alguns cartazes com a foto do produtor rural pedindo justiça.

O caso chocou as pessoas. Nörnberg, faleceu em uma ação da Brigada Militar, na madrugada da última quinta-feira . A feirante Patrícia Soares diz que o conhecia, desde que o produtor voltou para Pelotas, há mais de quatro anos. "Nos conhecíamos desde que ele veio para Pelotas ajudar o pai que estava doente. Nesta época já ficamos amigos", relata.

O protesto foi organizado pela família. Patrícia conta que auxiliou a enteada de Marcos, Fernanda Motta de Azevedo (que o considera como pai) na coleta do tamanho das camisetas dos participantes da manifestação. "A ideia partiu da família. Foi um crime bárbaro, é injustificável, só precisamos de justiça, tanto pelo Marcos, quanto pela Raquel Nörnberg (viúva). Ele se foi, mas a dor que a família está sentindo é irreparável", observa.

Raquel, que na manhã desta terça-feira prestou depoimento na polícia civil, assim como a irmã da vítima, Fábia Nörnberg, estavam presentes no protesto, com o filho de Raquel, Rodrigo Motta e o pai de Fábia e Marcos, Osvaldo. Ela disse que ainda se sente perdida, mas sabe que a família irá seguir na produção de morangos, na participação em feiras. "Vamos seguir participando de feiras e também não vamos parar de lutar por justiça, mas ainda não tivemos muito tempo, pois há muitas coisas ocorrendo e estamos também tentando nos organizar mentalmente", relata.

Raquel diz que reviver tudo o que aconteceu durante o depoimento foi muito difícil. "Por um outro lado fui muito acolhida e não tenho palavras para falar o que senti, mas tenho esperança que a justiça seja feita. Tenho fé que tudo irá se esclarecer e que as pessoas responsáveis pagarão por isto",diz. Ela estava junto com a vítima, na madrugada da última quinta-feira, quando a casa da família foi invadida por policiais militares, que acreditaram que no local encontrariam indivíduos envolvidos em outros crimes, armas e veículos roubados.

Fernanda disse que seguirá na produção de morangos. "Eu trabalhava com o pai. Ele estava me ensinando tudo o que sabia. Ainda tenho muito o que aprender, mas espero conseguir produzir um pouco e tenho que tocar, pois a agricultura não para e as pessoas precisam de alimentos na mesa e sempre foi a intenção dele trazer alimento de qualidade para a feira", justifica.

Para ela voltar a feira nesta terça-feira foi difícil. "Desde que eu acordei foi complicado, pois tive que colher tudo, pois todos os alimentos colhemos antes da feira. Por mais que tivesse a ajuda do meu noivo é difícil fazer o que o meu pai fazia, então, por estar só, por mais que tenha ajuda do meu noivo, é difícil fazer o que ele fazia", admite.

Fernanda conta que quando chegou foi muito bem recebida pelos amigos do grupo que a realiza a feira. "Tem sido difícil, mas com o apoio dos amigos, da Feira Municipal do Morango, que vieram para poder atender pela gente está dando um pouco de força. É bem difícil, mas seguimos lá for a. Não na casa onde tudo ocorreu, pois não sobrou nada, mas continuamos produzindo morango em estufa, milho doce, hortaliças, tomate, e cuidando do gado", garante. A família possui 17 hectares, na zona rural de Pelotas, onde estão, em torno de 13 mil pés de morango plantados em estufa. "O plano do meu pai era ampliar para mais seis mil pés, mas ele não conseguiu", lamenta, Fernanda, que nesta quarta-feira deve prestar o seu depoimento na Polícia Civil.

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